Uso de assistentes de IA no Brasil supera média global, aponta estudo
Um novo levantamento global da Hostinger, que analisou 66,7 bilhões de requisições de web crawlers em 5 milhões de sites, revela que o Brasil está na vanguarda de uma mudança de paradigma na internet. O país se consolidou como um dos mercados mais ativos para a interação com assistentes de inteligência artificial, superando significativamente a média global no uso de bots que buscam informações em tempo real para responder aos usuários.
Enquanto o mundo observa uma transição na forma como o conteúdo é descoberto, os brasileiros parecem ter adotado os assistentes de IA como a nova porta de entrada da rede, preferindo respostas diretas e automatizadas à tradicional lista de links dos buscadores.
O Fenômeno dos Assistentes no Brasil
Os dados da pesquisa da Hostinger destacam também uma disparidade impressionante entre o comportamento dos bots no Brasil e no exterior. O bot do Amazonbot (Alexa), por exemplo, é quase três vezes mais ativo em sites brasileiros do que a média global (8% no Brasil contra 3% no mundo). Esse dado sugere que a integração da Alexa com a web e a dependência dos usuários brasileiros por consultas via voz ou dispositivos inteligentes atingiram um patamar de maturidade superior ao de mercados no exterior.
Outro gigante que domina o tráfego local é o ChatGPT. O bot de navegação da OpenAI registra uma presença de 15% nos sites nacionais, contra apenas 9% na média global. Isso significa que o conteúdo gerado no Brasil está muito mais exposto às consultas em tempo real feitas por usuários do ChatGPT, que utilizam a ferramenta para pesquisas, resumos e recomendações imediatas.
Esta tendência de alta exposição aos bots de resposta reflete uma transformação na jornada de navegação do usuário nacional. Para Rafael Hertel, Country Manager da Hostinger no Brasil, os números consolidam a percepção de que o mercado brasileiro está pulando etapas na evolução digital.
“O que estamos vendo no Brasil é uma mudança profunda na forma como as pessoas acessam a internet. Em vez de navegar apenas por páginas, redes sociais e links, cada vez mais usuários pedem respostas diretas a assistentes de inteligência artificial”, afirma Hertel. “Isso muda as regras da visibilidade digital: não basta mais aparecer nos buscadores, é preciso produzir conteúdo claro e estruturado o suficiente para ser compreendido e citado por sistemas de IA,”finaliza.
Bloqueio ao Treinamento: A Resistência Brasileira
Curiosamente, o Brasil apresenta um comportamento ambivalente. Se por um lado o país abraça os bots de resposta, por outro, mostra uma resistência acima da média aos bots de treinamento (aqueles que coletam dados para ensinar modelos de IA sem necessariamente devolver tráfego ou respostas diretas).
- Meta ExternalAgent: Enquanto globalmente este bot acessa 41% dos sites, no Brasil ele alcança apenas 37%.
- ClaudeBot (Anthropic): A presença no Brasil é de 12%, enquanto a média global é de apenas 7%, mostrando uma vigilância maior sobre quem coleta dados em solo nacional.
Essa tendência indica que os administradores de sites brasileiros estão sendo mais seletivos: permitem que a IA acesse seu conteúdo para responder aos usuários (gerando visibilidade), mas bloqueiam o uso indiscriminado de seus dados para o treinamento de modelos de terceiros.
Concentração de mercado de SEO
O Brasil também registra menor presença de crawlers de ferramentas de SEO. O AhrefsBot, por exemplo, alcança 40% dos sites brasileiros, contra 49% na média global. Já o SemrushBot aparece em 14% dos sites no país, frente a 18% no restante do mundo.
Na prática, isso indica que menos sites brasileiros utilizam ou permitem ferramentas profissionais de SEO, o que pode identificar uma concentração das estratégias de otimização em um número menor de grandes players profissionais do mercado ou que os donos de sites estão priorizando a otimização para a Era da IA, conhecida como AIO (AI Optimization), em detrimento das métricas clássicas de motores de busca.
Conexão e Social: A Onipresença do WhatsApp e Chrome
O relatório também reforça a força das plataformas sociais e do ecossistema Google no cotidiano digital do país. O tráfego de visualização de links no WhatsApp (7% no Brasil vs. 5% global) e a atividade de metadados do Chrome Privacy (24% no Brasil vs. 19% global) confirmam que o brasileiro compartilha e consome conteúdo de forma muito mais intensa através de dispositivos móveis e navegadores do que a média mundial.
O que isso significa para o futuro?
Para empresas e criadores de conteúdo, o recado é claro: ser encontrado pelo Google não é mais o único objetivo. No Brasil, é preciso ser citado por assistentes de IA. Com os bots de busca da OpenAI e da Amazon varrendo os sites nacionais com profundidade superior à média global, a visibilidade digital agora depende da capacidade de fornecer dados estruturados e respostas claras que esses assistentes possam digerir.
O Brasil não é apenas um consumidor de tecnologia; ele se tornou o laboratório vivo de como a inteligência artificial reorganizará o fluxo de informação global.
Fonte: TI Inside