Pesquisa revela nova fase da adoção de IoT pelas empresas
A segunda edição da pesquisa “Panorama do IoT no Brasil”, produzida pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) em parceria com a TI INSIDE, apresenta um retrato atualizado da evolução do setor no país no último ano, reunindo dados relevantes sobre adoção, desafios, aplicações, investimentos e tendências. O levantamento foi realizado com empresas de diferentes segmentos como tecnologia, indústria, logística, agronegócio, saúde e utilities, revelando um mercado que avança em maturidade tecnológica, mas que ainda enfrenta entraves importantes para escalar.
Ao longo dos últimos anos, o IoT deixou de ser uma promessa e passou a ocupar um papel cada vez mais estratégico nas operações das empresas. Em 2026, esse movimento se intensifica, especialmente em setores intensivos em ativos físicos e com forte dependência de eficiência operacional. No entanto, os dados mostram que o crescimento do IoT no Brasil ocorre em duas velocidades: enquanto o ecossistema de fornecedores evolui rapidamente, a adoção por parte das empresas usuárias ainda avança de forma gradual e concentrada.
Segundo Rogério Moreira, presidente da ABINC, “esta pesquisa, que oferece um panorama valioso sobre o mercado de Internet das Coisas, analisa as tendências e dinâmicas do setor. Ele proporciona uma compreensão aprofundada do mercado, oferecendo informações relevantes e perspectivas estratégicas”.
Base analisada
Dentre o público analisado, 86,9% dos respondentes são empresas fornecedoras de soluções, serviços ou produtos relacionados ao IoT, enquanto apenas 13,1% representam empresas usuárias.
Esse dado evidencia um mercado ainda fortemente orientado pela oferta, no qual a maior parte das respostas vêm de empresas diretamente envolvidas no desenvolvimento e implementação das tecnologias. Embora haja participação de usuários finais, o percentual reduzido indica que a demanda ainda não atingiu seu pleno potencial.
Essa assimetria sugere que o IoT no Brasil ainda se encontra em um estágio de consolidação do mercado, no qual há disponibilidade tecnológica crescente, mas ainda existe um gap relevante na adoção em larga escala. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de maior disseminação de conhecimento, geração de casos de sucesso e demonstração clara de retorno sobre investimento para impulsionar a demanda.
Soluções
As soluções mais mencionadas no estudo incluem dispositivos conectados, plataformas de IoT, conectividade, soluções completas e tecnologias emergentes como inteligência artificial aplicada e edge computing. Esse conjunto aponta para um mercado que já ultrapassou a fase inicial de experimentação e avança para um modelo mais integrado, orientado a dados e à entrega de valor ao cliente.
Entre as principais categorias, há um destaque equilibrado: dispositivos conectados e soluções completas lideram, ambos com 20,8% das respostas. Os dispositivos seguem como a base da arquitetura IoT, responsáveis pela coleta de dados no ambiente físico por meio de sensores e atuadores. Já o crescimento das soluções completas indica uma mudança relevante no mercado, com fornecedores avançando para ofertas integradas que combinam hardware, software, conectividade e análise de dados em um único pacote.
Na sequência, aparecem as plataformas de IoT e soluções de conectividade, ambas com 13,2%, reforçando seu papel como pilares estruturais do ecossistema. As plataformas são responsáveis por integrar, gerenciar e transformar os dados em inteligência, enquanto a conectividade continua sendo um elemento essencial — e, ao mesmo tempo, um dos principais desafios para a expansão do setor.
A Inteligência Artificial aplicada ao IoT surge com 9,4%, indicando um avanço consistente na incorporação de camadas de análise e automação, ainda que não seja predominante em volume. Já a segurança cibernética aparece com 5,7%, o que pode indicar que, embora relevante, muitas vezes está incorporada a soluções mais amplas.
O conjunto dessas soluções revela um movimento claro de evolução: o mercado deixa de atuar de forma fragmentada e passa a buscar ofertas mais completas, integradas e inteligentes, aproximando-se de modelos end-to-end que simplificam a adoção e aceleram a geração de valor para os clientes.
Demanda
Do lado da demanda, os principais setores atendidos pelas soluções de IoT seguem concentrados em segmentos altamente operacionais, onde o impacto da tecnologia é mais direto e mensurável. Entre os destaques aparecem Indústria 4.0, Utilities, Logística e Transporte, Operadoras e Agronegócio.
A Indústria 4.0 lidera como principal setor atendido, com 17% das menções, reforçando o papel do IoT como base para automação, monitoramento de processos e manutenção preditiva. Em ambientes industriais, a capacidade de coletar e analisar dados em tempo real tem se mostrado essencial para reduzir falhas, otimizar a produção e aumentar a eficiência operacional.
Na sequência, chama atenção o peso do setor de Utilities, com 15,1%, indicando a forte presença do IoT em aplicações ligadas à gestão de energia, água e saneamento. Esse dado evidencia o avanço de iniciativas como smart grids, medição inteligente e automação de infraestrutura crítica.
O setor de Logística e Transporte aparece com 13,2%, refletindo a crescente demanda por soluções de rastreamento, gestão de frotas e controle de ativos em tempo real. Em um cenário de cadeias de suprimentos cada vez mais complexas, o IoT se consolida como ferramenta estratégica para visibilidade e eficiência operacional.
As Operadoras somam 11,3%, mostrando seu papel duplo no ecossistema, tanto como fornecedoras de conectividade quanto como clientes de soluções IoT para otimização de suas próprias redes e serviços.
O Agronegócio, com 7,5%, também mantém presença relevante, impulsionado pelo uso de sensores para monitoramento de solo, clima e maquinário. O setor segue como um dos principais vetores de inovação no país, utilizando IoT para aumentar produtividade e reduzir desperdícios.
Outros segmentos, como Saúde e Medicina (5,7%), além de Varejo, Finanças e Pagamentos, aparecem com participações menores, mas reforçam a diversificação do uso da tecnologia em diferentes áreas da economia.
De forma geral, os dados mostram que a adoção do IoT no Brasil continua fortemente associada a ganhos operacionais, eficiência e controle de ativos, com maior concentração em setores críticos e intensivos em infraestrutura. Ao mesmo tempo, observa-se um avanço gradual para aplicações mais estratégicas, especialmente em setores como utilities e telecomunicações, que já operam em maior escala e complexidade.
Tecnologias emergentes
A pesquisa revela quais tecnologias deverão impulsionar o avanço do IoT no Brasil nos próximos 12 meses. Os dados apontam para uma transformação clara do papel da tecnologia, cada vez mais orientada à inteligência, autonomia e integração de sistemas.
A Inteligência Artificial aplicada ao IoT lidera com 39,6% das respostas, consolidando-se como a principal aposta do mercado. Esse movimento confirma a evolução do IoT de uma camada de coleta de dados para uma infraestrutura de inteligência, capaz de gerar análises preditivas, automatizar decisões e otimizar operações de forma contínua.
Na sequência, aparece o edge computing, com 18,9%, tecnologia que permite o processamento de dados mais próximo da origem, reduzindo latência e aumentando a eficiência das aplicações. Esse avanço é especialmente relevante para ambientes industriais, operações críticas e cenários que exigem resposta em tempo real.
Entre as tecnologias emergentes com crescimento relevante, destacam-se também as redes privativas e os gêmeos digitais, ambos com 9,4%. As redes privativas refletem a busca das empresas por maior controle, segurança e desempenho em suas operações conectadas, especialmente em ambientes industriais e críticos. Já os gêmeos digitais apontam para um avanço na simulação e monitoramento de ativos e processos em tempo real, permitindo maior previsibilidade e eficiência operacional.
O 5G surge com 7,5% das menções, reforçando seu papel como tecnologia habilitadora, ainda em expansão. Embora seja fundamental para o avanço do IoT em larga escala, o dado indica que sua adoção ainda está em estágio de amadurecimento no curto prazo.
Outras tecnologias, como conectividade satelital, data spaces e soluções integradas de software e hardware, aparecem com menor participação, mas reforçam a diversificação do ecossistema e a busca por soluções mais completas e adaptáveis a diferentes contextos.
Esse conjunto reforça que o futuro do IoT está diretamente ligado à convergência tecnológica, especialmente entre conectividade avançada, processamento distribuído e inteligência artificial, transformando dados em decisões automatizadas e ampliando o papel estratégico do IoT nas organizações.
IA embarcada no IoT
O relatório mostra ainda o estágio atual da adoção de Inteligência Artificial no contexto do IoT entre os fornecedores:
- 52,8% das empresas estão em fase de desenvolvimento de soluções com IA
- 35,8% já oferecem essas soluções ao mercado
- 11,3% não possuem planos de adoção
Os dados indicam um mercado em transição, no qual a IA já é vista como elemento essencial, mas ainda está em processo de consolidação.
O fato de mais da metade das empresas ainda estar desenvolvendo soluções sugere um forte investimento em inovação e um pipeline relevante de novos produtos e serviços. Ao mesmo tempo, a parcela significativa de empresas que já oferecem IA mostra que a tecnologia deixou de ser experimental e começa a se tornar uma realidade operacional.
Esse cenário aponta para uma transformação estrutural, no qual o IoT passa a ser cada vez mais orientado por dados, algoritmos e automação, ampliando seu valor estratégico dentro das organizações.
Desafios fornecedores
Apesar do avanço do setor, a pesquisa evidencia que ainda existem barreiras importantes para a expansão do IoT no Brasil, especialmente relacionadas à infraestrutura, maturidade do mercado e viabilidade de escala.
O principal desafio apontado é a infraestrutura de conectividade, com 24,5%, indicando que, embora haja avanços, ainda existem limitações relevantes na cobertura, estabilidade e qualidade das redes, especialmente fora dos grandes centros e em aplicações que exigem alta confiabilidade.
Na sequência, aparece a escalabilidade das soluções, com 20,8%, refletindo a dificuldade de transformar projetos piloto em operações de grande escala. Esse dado evidencia um dos principais gargalos do mercado: muitas iniciativas conseguem validar a tecnologia, mas enfrentam barreiras para expandir de forma sustentável.
A adesão dos clientes ao IoT surge com 17%, mostrando que ainda existe um desafio importante de mercado. A dificuldade de demonstrar valor, o desconhecimento sobre as aplicações e a resistência à mudança impactam diretamente a velocidade de adoção.
O custo de implementação, com 15,1%, também se mantém como um fator relevante, especialmente quando considerado o investimento necessário em hardware, conectividade, integração e manutenção, além da necessidade de comprovação clara de retorno sobre investimento.
A complexidade técnica aparece com 13,2%, refletindo desafios relacionados à integração com sistemas legados, à implementação das soluções e à escassez de mão de obra qualificada.
Outros fatores, como segurança cibernética e falta de regulamentação clara, aparecem com menor representatividade, mas continuam sendo pontos de atenção em um ambiente cada vez mais conectado e sensível a riscos.
De forma geral, os dados reforçam que a expansão do IoT no Brasil depende não apenas da evolução tecnológica, mas da capacidade de superar desafios estruturais, simplificar a adoção e criar condições para escalar projetos com eficiência e sustentabilidade.
Desafios das empresas usuárias na adoção de IoT
Sob a perspectiva das empresas usuárias, os desafios para adoção de IoT revelam uma dinâmica diferente daquela enfrentada pelos fornecedores, com maior foco em capacitação, integração e tomada de decisão.
O principal obstáculo identificado é a falta de conhecimento técnico, com 37,5% das respostas, evidenciando que a adoção do IoT ainda esbarra na dificuldade das empresas em compreender, estruturar e operar essas soluções internamente. Esse dado reforça a necessidade de maior disseminação de conhecimento, capacitação de equipes e apoio consultivo por parte dos fornecedores.
Na sequência, aparece a integração com outros sistemas, com 25%, indicando que um dos maiores desafios está na conexão das novas soluções com ambientes já existentes. A presença de sistemas legados e arquiteturas complexas torna a implementação mais difícil e impacta diretamente a escalabilidade dos projetos.
Outros fatores aparecem com menor peso, mas ainda relevantes: o custo elevado de implementação (12,5%), a segurança e privacidade dos dados (12,5%) e o timing de adoção (12,5%) — este último refletindo dúvidas sobre o momento ideal para investir na tecnologia.
Também surge, ainda que com menor representatividade, a dificuldade na escolha de fornecedores confiáveis, indicando que a fragmentação do mercado pode gerar insegurança para empresas que estão iniciando sua jornada em IoT.
De forma geral, os dados mostram que, para os usuários, o desafio não está apenas na tecnologia em si, mas na capacidade de absorção, integração e tomada de decisão estratégica. Isso reforça a importância de soluções mais simples, integradas e orientadas a resultados, além de um papel mais ativo dos fornecedores na educação do mercado.
Conectividade
No campo da conectividade, o mercado continua concentrado nas grandes operadoras, mas já apresenta sinais claros de diversificação com o avanço de novas tecnologias e modelos de rede.
A liderança é compartilhada entre Claro e Vivo, ambas com 26,4% das menções, evidenciando o protagonismo das grandes telcos na sustentação da infraestrutura de IoT no país. Essas operadoras seguem como principais habilitadoras da conectividade, especialmente em projetos que demandam escala e cobertura nacional.
Na sequência, aparecem as operadoras LPWAN (como LoRaWAN e Sigfox), com 15,1%, indicando o crescimento de redes especializadas voltadas para aplicações de baixo consumo de energia e transmissão de dados em larga escala. Esse movimento reforça a busca por alternativas mais eficientes e adaptadas a casos de uso específicos.
A TIM surge com participação menor, acompanhada por outras soluções como Starlink, redes dedicadas e provedores especializados, que aparecem de forma mais fragmentada no gráfico. Essas opções refletem a crescente diversificação do mercado, especialmente em cenários que exigem conectividade em áreas remotas ou maior controle sobre a rede.
Esse conjunto de dados evidencia uma mudança relevante: a conectividade deixa de ser um recurso padronizado e passa a ser um elemento estratégico, definido de acordo com a aplicação, o ambiente e as exigências operacionais. A coexistência de diferentes tecnologias e fornecedores indica um ecossistema mais complexo, porém mais preparado para atender demandas específicas de cada setor.
Aplicação
Entre as empresas usuárias, o levantamento mostra que o IoT ainda é utilizado principalmente com foco em eficiência operacional.
A principal aplicação é o monitoramento de equipamentos, com 50% das respostas, evidenciando o uso da tecnologia para controle de ativos, manutenção preventiva e redução de falhas.
Na sequência, aparece a gestão de dados e análises, com 25%, indicando que as empresas começam a avançar na utilização das informações geradas para tomada de decisão. Em seguida, empatadas ficam monitoramento de pacientes na área da saúde (12,5%) e gestão de frota e rastreamento (12,5%).
De forma geral, os dados mostram que o IoT ainda é utilizado majoritariamente como ferramenta de controle e eficiência, com espaço significativo para evolução em aplicações mais estratégicas.
Investimentos
O levantamento apresenta também um panorama dos investimentos realizados em IoT nos últimos 12 meses:
- 37,5% das empresas investiram até R$ 100 mil
- 37,5% não realizaram investimentos
- 12,5% investiram entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão
- 12,5% investiram entre R$ 100 mil e R$ 500 mil
Esse cenário indica um mercado ainda em estágio inicial do lado da demanda, com predominância de projetos piloto ou iniciativas de menor escala.
Os investimentos mais elevados aparecem em menor proporção, sugerindo que poucos projetos já atingiram um nível de maturidade suficiente para justificar aportes mais robustos.
Esse dado reforça que a expansão do IoT no Brasil ainda depende da consolidação de casos de sucesso e da comprovação clara de retorno financeiro.
Crescimento e tendências
Considerando a visão conjunta de fornecedores e usuários, o cenário projetado para os próximos anos é predominantemente positivo.
- 47,5% acreditam em crescimento moderado com desafios
- 41% apostam em crescimento acelerado
- Apenas 11,5% preveem estagnação
Esse equilíbrio entre otimismo e cautela mostra que o mercado reconhece o potencial do IoT, mas também está consciente das barreiras que ainda precisam ser superadas.
Quando analisadas as tendências, a principal aposta é clara:
A integração entre IoT e Inteligência Artificial lidera com 67,2% das respostas, consolidando-se como o principal vetor de transformação do setor.
Outros movimentos relevantes incluem a expansão do 5G, edge computing e discussões sobre regulamentação, indicando um ecossistema em evolução tanto tecnológica quanto estrutural.
Comparativo 2025 x 2026: evolução do mercado de IoT no Brasil
A comparação entre as edições de 2025 e 2026 da pesquisa “Panorama do IoT no Brasil” evidencia um avanço consistente do mercado, com mudanças relevantes no nível de maturidade, nas prioridades tecnológicas e na dinâmica entre oferta e demanda.
De forma geral, 2025 já apontava um mercado em consolidação, com o IoT sendo reconhecido como uma realidade estratégica para diferentes setores . Em 2026, esse cenário evolui para um estágio mais avançado, no qual a tecnologia passa a ser tratada não apenas como infraestrutura, mas como plataforma de inteligência e geração de valor, ainda que com desafios importantes para escalar.
- Mudança no equilíbrio entre oferta e demanda
Em 2025, embora houvesse predominância de fornecedores, ainda existia uma participação mais equilibrada de empresas usuárias. Já em 2026, observa-se uma concentração ainda maior do lado da oferta, com 86,9% dos respondentes sendo fornecedores, evidenciando um mercado que evolui tecnologicamente mais rápido do que sua adoção pelas empresas.
O principal gap do mercado deixou de ser tecnológico e passou a ser de adoção e maturidade da demanda.
- Evolução das soluções: do hardware para o modelo integrado
Em 2025, os dispositivos conectados lideravam com 28,6%, seguidos por soluções completas (20%) e plataformas (15,7%).
Em 2026, há uma mudança importante:
- Dispositivos e soluções completas passam a empatar (20,8%)
- Plataformas e conectividade ganham equilíbrio (13,2%)
O mercado evolui de uma lógica centrada em hardware para um modelo end-to-end, com maior foco em integração, simplicidade e entrega de valor.
- IA deixa de ser tendência e se consolida como prioridade
Em 2025, a IA já aparecia com força, liderando como tecnologia emergente com 52,9% das menções.
Em 2026, esse movimento se consolida de forma ainda mais estruturada:
- IA lidera com 39,6%, mas agora integrada a um ecossistema mais amplo
- Crescem tecnologias complementares como edge computing (18,9%), redes privativas e gêmeos digitais (9,4%)
A IA deixa de ser apenas uma aposta e passa a ser parte central da arquitetura IoT, integrada a outras tecnologias que viabilizam escala e inteligência operacional
- Mudança no perfil da demanda: maior sofisticação dos setores
Em 2025, o protagonismo estava mais distribuído entre agronegócio e indústria, ambos com 12,7%.
Em 2026, há uma reorganização:
- Indústria 4.0 assume liderança (17%)
- Utilities ganha força (15,1%)
- Operadoras passam a ter papel mais relevante (11,3%)
O IoT avança para setores com maior complexidade operacional e necessidade de escala, como energia e telecomunicações.
- Conectividade: de concentração para diversificação estratégica
Em 2025, o destaque era da Vivo (29,6%), com presença relevante de redes privadas e LPWAN.
Em 2026:
- Claro e Vivo empatam na liderança (26,4%)
- LPWAN ganha força (15,1%)
- Cresce a fragmentação com novas tecnologias (satélite, redes dedicadas)
A conectividade deixa de ser commodity e passa a ser decisão estratégica, baseada no caso de uso.
- Desafios: da barreira financeira para a barreira estrutural e de adoção
Em 2025, o principal desafio era o custo de implementação (23,9%), seguido por conectividade e adesão.
Em 2026, o cenário muda:
- Infraestrutura de conectividade assume liderança (24,5%)
- Escalabilidade (20,8%) e adesão (17%) ganham relevância
- Do lado dos usuários, destaca-se a falta de conhecimento técnico (37,5%)
O desafio evolui de custo para capacidade de escalar e absorver a tecnologia.
- Aplicações: avanço ainda centrado em eficiência
Em 2025, o foco estava em dados e análises preditivas (40%).
Em 2026, há uma leve mudança:
- Monitoramento de equipamentos lidera (50%)
- Dados e análises seguem relevantes (25%)
O mercado ainda está fortemente orientado à eficiência operacional, com espaço para evolução em aplicações mais estratégicas e orientadas a negócio.
- Investimentos: estabilidade com sinais de cautela
Os dados de investimento mostram pouca variação relevante entre os anos:
- Forte presença de investimentos até R$100 mil
- Alta parcela de empresas que ainda não investem
O mercado continua em fase de validação e expansão gradual, com poucos projetos em escala robusta.
Conclusões finais
A evolução de 2025 para 2026 mostra um mercado que amadureceu tecnologicamente, mas que agora enfrenta um novo desafio: transformar capacidade em adoção e escala.
Se 2025 foi o ano da consolidação do IoT como realidade, 2026 marca o início de um novo ciclo, em que o sucesso dependerá menos da tecnologia disponível e mais da capacidade de implementá-la, integrá-la e gerar valor concreto.
O próximo estágio do IoT no Brasil será definido pela convergência entre inteligência (IA), integração (plataformas e soluções completas) e maturidade de mercado (adoção e escala).
Sobre a pesquisa
A pesquisa Panorama da Adoção de IoT no Brasil foi realizada pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) e pela TI Inside, com o objetivo de entender a evolução, os desafios e as tendências do mercado de Internet das Coisas (IoT) no país — tanto sob a ótica dos fornecedores quanto das empresas usuárias dessas tecnologias.
Fonte: TI Inside