Museu de Zoologia digitaliza acervo e aumenta acessibilidade das exposições
Com investimento de R$ 9,5 milhões, projeto de modernização fomenta conservação, restauro, pesquisa e difusão das coleções
Orçamento para as melhorias no Museu de Zoologia vem de uma chamada pública de financiamento promovida pela Finep; outras unidades da USP também participaram — Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
O Museu de Zoologia (MZ) busca melhorar a sua atuação na pesquisa científica e na extensão universitária por meio de um projeto de modernização do seu acervo. A iniciativa contempla diferentes coleções: digitalização em alta definição dos invertebrados; imagens em raio X dos peixes; conservação adequada dos répteis e anfíbios para prevenir incêndios; e restauro de animais para colocá-los em exposições acessíveis e kits educativos.
Visitantes do MZ com necessidades específicas podem agendar uma programação diferenciada. “Isso não é suficiente: acessibilidade não pode ser um serviço acionado apenas por quem tem informação para solicitá-lo; ela precisa estar incorporada à experiência de qualquer visitante, desde o primeiro passo na entrada”, comenta Maria Isabel Landim, professora do Museu e chefe da Divisão de Difusão Cultural. Para aumentar a acessibilidade das exposições, o projeto de modernização investirá em audioguias, legendas em Braille, materiais táteis e guias em Libras.
De acordo com Landim, as peças expositivas, por não serem usadas nas pesquisas clássicas, foram vistas durante décadas como descartáveis. A pesquisadora conta que o cenário começou a mudar com a diminuição da biodiversidade, acelerada pelas ações humanas: o Museu não pôde mais coletar animais para trocar os itens em exposição danificados e passou a depender de doações de zoológicos e Organizações Não Governamentais (ONGs) para adquirí-los.
Somado a isso, avanços no campo da Museologia, a ciência que estuda os museus, reconheceram o valor histórico dos materiais expositivos. Um dos objetivos do projeto de modernização é levar esse novo olhar à comunidade externa e acadêmica. Parte das peças de exposição restauradas vão compor uma galeria visitável para o público conhecer o seu processo de higienização, restauração e documentação. Outra parte fará parte de um kit didático emprestado gratuitamente às escolas paulistas. Além disso, alguns itens estarão disponíveis para pesquisas museológicas.
A coleção restaurada com importância histórica estará disponível para consulta on-line na plataforma Brasiliana Museus. Já o acervo digitalizado poderá ser acessado pelo Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) e pelo Global Biodiversity Information Facility (GBIF).
Questões orçamentárias
A modernização do MZ surge de um convênio, assinado em abril de 2025, com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Agência Universitária de Notícias (AUN) obteve acesso a esse contrato. Dos R$ 9,5 milhões investidos no projeto, R$ 7,9 milhões são financiados pela Finep e R$ 1,6 milhão são de responsabilidade do Museu.
Marcelo Duarte, professor do MZ e coordenador-geral da iniciativa, explica que nenhuma verba foi utilizada até o momento, visto que o Museu aguarda a troca do executor orçamentário para a Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp) por meio de um novo contrato ainda em aprovação. A decisão considerou, além do grande valor financeiro do projeto e a complexidade para a aquisição de itens importados, “a sobrecarga já existente no setor de compras do Museu, cuja rotina ordinária absorve a integralidade de sua capacidade operacional”, pontua o coordenador. Até a assinatura do novo contrato, o prazo de conclusão da modernização segue incerto. O convênio inicial tinha como data limite agosto de 2028.
FONTE: USP