IA deve movimentar US$ 1,6 bilhão no Brasil e impulsionar infraestrutura, aponta IDC
O mercado de tecnologia no Brasil segue em trajetória de crescimento consistente, mesmo em um cenário macroeconômico mais restritivo. Segundo dados apresentados por Luciano Ramos, country manager da IDC, durante o TD SYNNEX Inspire LAC 2026, o país deve registrar uma expansão de dois dígitos em 2026, na faixa de 11% a 12%, desempenho significativamente superior ao crescimento econômico esperado, que permanece abaixo de 3%.
“O Brasil continua sendo um mercado super importante na América Latina e globalmente, sendo o nono maior mercado em consumo de tecnologia e telecomunicações”, afirmou.
A diferença entre o crescimento do setor de tecnologia e o avanço da economia reforça o papel da área como motor de transformação dentro das empresas, especialmente em um contexto em que eficiência operacional e ganho de produtividade passam a ser prioridades estratégicas.
Brasil concentra quase metade dos investimentos em infraestrutura da região
Dentro desse cenário, o país mantém uma posição dominante na América Latina, concentrando uma parcela significativa dos investimentos em tecnologia.
Segundo os dados apresentados, o mercado de infraestrutura tradicional na região deve atingir cerca de US$ 2,9 bilhões em 2026, sendo aproximadamente US$ 1,1 bilhão apenas no Brasil, o que representa quase metade do total latino-americano.
Esse volume inclui investimentos em servidores, armazenamento e data centers, tanto em ambientes próprios quanto contratados, refletindo a necessidade contínua de modernização da base tecnológica das empresas.
Nuvem segue em expansão, mesmo com movimento de ajuste
Apesar das discussões recentes sobre repatriação de workloads, os números indicam que a nuvem continua em crescimento acelerado. Na América Latina, o mercado de cloud pública deve atingir cerca de US$ 9,3 bilhões, com crescimento anual de 16%. No Brasil, esse volume chega a aproximadamente US$ 4,2 bilhões, com expansão na faixa de 15% ao ano.
Segundo Ramos, esses dados mostram que não há um recuo estrutural da nuvem, mas sim um movimento de ajuste na estratégia das empresas. “A nuvem nunca foi sobre redução de custos”, afirmou.
A mudança reflete uma maturidade maior na tomada de decisão, em que empresas passam a redistribuir workloads de acordo com o perfil de cada aplicação, mantendo na nuvem aquilo que realmente se beneficia de escalabilidade e elasticidade, enquanto trazem de volta sistemas que não se adaptam a esse modelo.
Repatriação cresce, mas volume em nuvem continua aumentando
Os dados reforçam essa leitura ao mostrar um comportamento aparentemente contraditório, mas complementar. Segundo pesquisa da IDC, 64% das empresas afirmaram estar repatriando workloads, ou seja, trazendo aplicações de volta para ambientes locais. No entanto, na mesma base de entrevistados, 92% indicaram que pretendem aumentar o volume de cargas em nuvem nos próximos 12 meses. “Estou tirando da nuvem o que não faz sentido e colocando na nuvem o que faz”, afirmou.
Esse movimento indica que o mercado não está abandonando a nuvem, mas refinando seu uso, ajustando decisões que, em muitos casos, foram tomadas com base em premissas inadequadas no passado.
IA já movimenta bilhões e impulsiona infraestrutura
Outro ponto de destaque é o avanço da inteligência artificial como vetor de investimento. Segundo a IDC, o mercado de plataformas de IA deve movimentar cerca de US$ 3,4 bilhões na América Latina, sendo aproximadamente US$ 1,6 bilhão no Brasil.
Esses números, no entanto, representam apenas uma parte do impacto da tecnologia, já que a adoção de IA também exige investimentos adicionais em infraestrutura, nuvem e serviços. “Para colocar IA de pé, você precisa de infraestrutura, plataformas e serviços. É um stack completo”, afirmou.
Esse efeito cascata amplia o volume total de investimentos associados à tecnologia, reforçando o papel da IA como catalisadora de gastos em diferentes camadas.
Conectividade ganha protagonismo com crescimento do volume de dados
Além de processamento e armazenamento, a conectividade também passa a ocupar um papel central na estratégia de tecnologia. Segundo os dados apresentados, o mercado de networking na América Latina deve atingir cerca de US$ 5,1 bilhões, impulsionado pelo aumento no volume de dados e pela necessidade de suportar aplicações cada vez mais intensivas em informação.
Esse movimento está diretamente ligado ao avanço da inteligência artificial, que amplia a demanda por transferência de dados em tempo real e reduz a tolerância a gargalos de rede.
Setor financeiro lidera investimentos, enquanto manufatura amplia base
Do ponto de vista setorial, o segmento financeiro segue como o principal motor de investimento em tecnologia na região, mantendo liderança em praticamente todas as categorias. No entanto, a manufatura também ganha destaque, especialmente pela diversidade de empresas e pela necessidade de modernização de ambientes tecnológicos.
Enquanto o setor financeiro concentra alto volume de investimento em um número relativamente menor de empresas, a manufatura apresenta uma base mais ampla, com organizações em diferentes níveis de maturidade tecnológica.
Canal ainda está desalinhado com prioridades do cliente
Além dos números de mercado, a IDC também identificou um desalinhamento entre a percepção dos canais e as demandas dos clientes. Segundo pesquisa realizada com mais de 100 parceiros durante o evento, muitos canais ainda focam em eficiência de custos e entrega operacional, enquanto os clientes priorizam eficiência operacional e transformação de negócio. “Os canais ainda estão olhando muito para custo, enquanto os clientes estão olhando para transformação”, afirmou.
Esse descompasso pode limitar a capacidade de geração de valor, exigindo uma mudança de abordagem por parte dos parceiros.
IA tradicional volta à agenda e amplia demanda por infraestrutura
Outro ponto relevante é o retorno da chamada “IA tradicional” à agenda das empresas. Segundo Ramos, organizações começam a revisitar aplicações já existentes, como sistemas de crédito, antifraude e supply chain, que utilizam inteligência artificial há anos, mas que não eram tratadas como parte estratégica da agenda de inovação.
Esse movimento amplia ainda mais a demanda por infraestrutura, já que essas aplicações passam a ser reavaliadas e otimizadas, exigindo maior capacidade de processamento, armazenamento e conectividade.
Tecnologia avança acima da economia e redefine prioridades
A leitura consolidada apresentada pela IDC aponta para um mercado em que tecnologia continua avançando em ritmo superior ao da economia, impulsionada por demandas estruturais de transformação e eficiência.
Nesse cenário, a combinação entre nuvem, inteligência artificial, infraestrutura e conectividade passa a definir a nova fase do setor, exigindo das empresas não apenas investimento, mas também maior maturidade na tomada de decisão.
Fonte: TI Inside