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CTI Renato Archer integra projeto para desenvolver tecnologia nacional de aceleração de IA

O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer é uma das instituições parceiras do projeto Nó Computacional e Acelerador de Inteligência Artificial em RISC-V, cujo lançamento aconteceu na última terça (13/10), no auditório do Instituto Eldorado, em Campinas (SP).

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Pesquisadores do CTI Renato Archer com os representantes do MCTI, Unicamp, Eldorado e Prefeitura de Campinas, no lançamento do Nó Computacional.

Executado pelo Eldorado e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto prevê o desenvolvimento de uma tecnologia nacional de aceleração de IA com arquitetura RISC-V – um padrão aberto que permite criar e personalizar processadores sem pagar royalties nem correr o risco de bloqueios de licenças comerciais e sanções geopolíticas. A ideia é contribuir para que o Brasil supere a sua dependência quase completa de tecnologias de semicondutores importadas do exterior, hoje responsável por um déficit de US$ 8 bilhões ao ano.

O CTI Renato Archer irá contribuir na criação de um acelerador matricial, um arranjo de múltiplos chips montados em placa capaz de executar operações matemáticas complexas mais rapidamente – condição essencial para alcançar o poder computacional necessário para o desenvolvimento de IA.

Os esforços do CTI se concentrarão tanto no processo de design quanto na qualificação do comportamento dos circuitos eletrônicos. O projeto digital será testado, inclusive por meio de protótipos produzidos na instituição. Os componentes finalizados também passarão por uma série de provas – como resistência a temperaturas diversas e a vibração eletrônica, por exemplo – para garantir que funcionem de acordo com as normas nacionais e internacionais. A qualificação é uma condição para que os produtos desenvolvidos pelo projeto tenham viabilidade prática e também comercial – uma das ambições do Nó.

Projeto é estratégico para a soberania nacional

 

A diretora do CTI, Juliana Daguano, discursa no lançamento do Nó Computacional.A diretora do CTI, Juliana Daguano, discursa no lançamento do Nó Computacional.

 

O Nó Computacional conta com forte apoio do governo federal brasileiro. Os recursos iniciais, que somam R$50 milhões no primeiro ano, foram liberados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com amparo de fundos públicos como o FNDCT, BNDES e FINEP. R$75 milhões adicionais serão liberados nas próximas etapas do projeto, que integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), estratégia governamental para desenvolver, regular e incentivar o uso ético e seguro da IA no País.

“É preciso entender que esse tipo de tecnologia é equivalente à energia elétrica: ela vai produzir uma mudança substancial no mundo”, afirmou o professor da Unicamp Guido Araújo durante a sua fala no evento de lançamento, que também contou com a presença do superintendente do Eldorado, José Bertuzzo, da diretora do CTI Renato Archer, Juliana Daguano, do diretor de produtos da empresa HwIT, Paulo Bertolo, da secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi, e do coordenador geral de Tecnologias em Semicondutores do MCTI, Alessandro Campos.

Em um mercado dominado por grandes corporações privadas, como a norte-americana Nvidia, ser capaz de projetar e produzir circuitos, processadores e servidores para computação de alto desempenho é estratégico para a soberania nacional – ainda mais em um contexto de crescentes tensões geopolíticas.

Alessandro Campos explicou que o objetivo não é dominar 100% da cadeia produtiva – uma “utopia econômica”, em suas palavras. A ideia é dominar nichos tecnológicos essenciais para as cadeias globais de produção, fazendo do Brasil um parceiro indispensável dentro de um arranjo de interdependência estratégica.

O foco do projeto não é no treinamento de Large Language Models (LLMs) e agentes capazes de desempenhar múltiplas funções, mas sim no desenvolvimento de IAs dedicadas a uma única aplicação, como geração de imagens ou processamento de dados referentes ao clima, por exemplo. O coordenador afirma que já existe uma demanda interna grande por esse tipo de tecnologia, partindo inclusive de empresas públicas como Petrobras e Embraer. A ambição é que o Brasil seja capaz de exportar os seus produtos para outros países.

O Nó também reforça o papel de Campinas como polo tecnológico nacional. Segundo a diretora do CTI Renato Archer, “o ecossistema de Campinas tem uma capacidade muito maior do que receber datacenter; nós vamos desenvolver o nosso supercomputador”. O superintendente do Eldorado concorda: “é um baita de um desafio, mas o bom é que já fizemos algumas entregas que mostram que a gente tem a capacidade. Tem muita emoção pela frente, mas vamos chegar lá”.

 

 

FONTE: GOV

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