MENU

HOME

Consecti

Consecti Consecti

Gestores de riscos avaliam que tecnologia e cibersegurança estarão no centro da supervisão bancária

Os gestores de riscos de instituições financeiras entrevistados por estudo global da EY e do IIF (Institute of International Finance) consideram que tecnologia e cibersegurança, com 71% das respostas, representarão o foco da supervisão bancária nos próximos três anos. “Os riscos de crime financeiro, ligados, por exemplo, a falhas nas práticas de PLD/FTP, ocupam a segunda colocação, mas estão bem atrás, com 36% das respostas, embora estejam em evidência com a inclusão pelos EUA das facções criminosas atuantes no Brasil na lista de organizações terroristas”, diz Rui Cabral, sócio-líder de risco e finanças para o setor financeiro da EY Brasil. Também com 36% estão riscos de fraudes digitais e, na quarta posição, com um ponto percentual a menos, riscos de terceiros.

close-up-homem-de-negocios-com-tabuleta-digital-1–696×464

Essas respostas estão em consonância com outros resultados da pesquisa. Quando perguntados sobre os três principais impactos no gerenciamento de riscos causados pela evolução da regulação global, a opção mais escolhida, com 63% da preferência, foi o aumento do escrutínio em tecnologia e IA devido à intensificação da agenda regulatória. Na sequência, com 51%, a elevação do investimento em capacidade analítica e de dados no gerenciamento de riscos para atender às expectativas de supervisão regulatória. Destaque ainda para aperfeiçoamento das medidas operacionais de resiliência ligadas aos fornecedores e parceiros de negócio, com 48% da preferência, e para fortalecimento da governança e dos frameworks de controle a fim de que estejam alinhados com as melhores práticas, com 34%.

“Há uma preocupação com as chamadas terceiras partes, que são as que se relacionam com os bancos, por meio da integração de sistemas cada vez mais comum nas inovações financeiras, como Open Finance e Pix”, afirma o executivo. A segurança dos sistemas e as medidas de governança, ainda segundo Cabral, precisam ser observadas em todo o ecossistema, seguindo as regras definidas pelo Banco Central, cujo propósito é assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro.

Participaram do estudo da EY, em parceria com o IIF, 101 bancos de 31 países, por meio das respostas de CROs. Os bancos contemplados são diversos em termos de tamanho de ativos e alcance geográfico, com 10% deles na categoria G-SIBs, que reúne as maiores e mais complexas instituições financeiras do mundo, consideradas grandes demais para falir (da expressão em inglês “too big to fail”). As instituições pesquisadas têm suas sedes na América do Norte, representando 30% do total, seguidas por Ásia-Pacífico com 20%; Europa com 20%; América Latina com 20%; e Oriente Médio e África com 10%.

Habilidades para responder a esse cenário

Para responder a esses desafios, os pesquisadores perguntaram aos executivos sobre as habilidades necessárias de gerenciamento de risco nos próximos três anos. O domínio do ecossistema digital, como tecnologia, dados, IA e programação, liderou com 71% das respostas. Na sequência, a habilidade para se adaptar a um ambiente de mudança de risco, incluindo o impacto das incertezas geopolíticas, com 56%. A terceira posição ficou com a compreensão do negócio e do papel facilitador da gestão de riscos, com 50%. Na quarta posição, com 39%, a especialização em pelo menos um campo de conhecimento, como crédito, cibersegurança, IA e computação quântica. Por fim, as soft skills, como liderança, relacionamento e negociação, tiveram 29%.

“Os CROs estão, portanto, convencidos de que o domínio digital é a principal competência para gerenciar melhor os riscos aos quais o setor bancário estará sujeito nos próximos três anos”, destaca Cabral. “Os respondentes reconhecem a necessidade tanto de talentos técnicos específicos, voltados para ciência de dados, quanto de conjuntos de habilidades mais amplas e flexíveis, com conhecimento de negócios, de gestão de fornecedores, de ética e de governança. A ênfase nesses últimos reflete a natureza dinâmica atual do setor bancário”, completa.

Além disso, conforme observa Andrei Graça, sócio-líder de inteligência artificial e dados da EY Brasil, há uma grande valorização, não apenas do setor bancário, como de toda a economia, de profissionais de gestão de risco com competências essenciais, como pensamento crítico, visão de negócios e capacidades de comunicação, que possam ser desenvolvidos para papéis consultivos voltados para IA.

“Habilidades e conhecimentos em IA serão essenciais à medida que os profissionais de gestão de riscos atuarem cada vez mais em funções híbridas de governança, criando políticas corporativas e colaborando com as áreas de negócios para implementá-las de forma a promover a inovação responsável”, finaliza.

FONTE: Tiinside

Mais notícias