Agentes de IA sem controle? O erro que pode custar milhões às empresas
A rápida adoção de agentes de inteligência artificial está inaugurando uma nova etapa da transformação digital, mas também ampliando desafios relacionados à segurança, governança e controle de custos. Para a Sensedia, empresas que acelerarem essa jornada sem estabelecer uma arquitetura adequada podem enfrentar problemas operacionais e riscos significativos de exposição de dados.
Durante entrevista concedida à TI Inside no APIX 2026, Kleber Bacili, cofundador e CEO da Sensedia, e Marcílio Oliveira, cofundador e CGO, afirmaram que o mercado ainda vive o ciclo de hype da IA generativa, mas já começa a avançar para uma fase de adoção em escala, impulsionada pela necessidade de aumentar produtividade e acelerar processos de negócio.
Segundo os executivos, a pressão das empresas deixou de estar concentrada apenas na busca por retorno financeiro imediato e passou a considerar a necessidade de preparar a organização para uma transformação estrutural. Nesse cenário, aplicações ligadas ao desenvolvimento de software e ao atendimento ao cliente aparecem entre os casos de uso que já demonstram resultados concretos, desde que acompanhados por indicadores de qualidade e satisfação dos usuários.
Outro ponto de destaque é o aumento da superfície de ataque criado pelos agentes autônomos. A empresa alerta que, além dos riscos tradicionais associados às APIs, surgem novas ameaças, como ataques de Prompt Injection, que podem explorar modelos de IA por meio de comandos maliciosos em linguagem natural. Para minimizar esse cenário, a recomendação é incorporar mecanismos de proteção, autenticação e governança desde a concepção das soluções, evitando depender apenas do treinamento dos usuários.
A Sensedia também observa que o controle financeiro da IA passa a ganhar importância semelhante ao que ocorreu anteriormente com iniciativas de FinOps em nuvem. A empresa defende mecanismos capazes de monitorar consumo de tokens, estabelecer limites de utilização e identificar custos por agente, aplicação ou unidade de negócio, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade financeira dos projetos.
Na avaliação dos executivos, a principal diferença entre a adoção de APIs e a atual onda da IA é que a governança deixou de ser uma preocupação tardia e passou a fazer parte das discussões desde o início dos projetos. Esse amadurecimento permite que empresas acelerem a inovação sem repetir erros observados em ciclos anteriores da transformação digital.
Como parte dessa estratégia, a Sensedia anunciou a ampliação de seu posicionamento no mercado. A companhia passa a expandir sua atuação para oferecer uma plataforma voltada à habilitação de agentes de IA, mantendo como pilares a integração, a exposição segura de dados e a governança construída ao longo de sua trajetória no mercado de APIs. Segundo Bacili e Oliveira, a iniciativa representa uma evolução natural da empresa diante da chegada da IA agêntica ao ambiente corporativo.
Fonte: TI Inside