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Uso de IA cresce na saúde, mas custo, infraestrutura e governança limitam expansão no Brasil, aponta Deloitte

A inteligência artificial (IA) avança rapidamente no setor de assistência à saúde e pesquisa científica (LSHC, na sigla em inglês), impulsionando aplicações em suporte à decisão clínica, diagnósticos por imagem, descoberta de medicamentos, automação de processos e gestão operacional. Ao mesmo tempo, organizações enfrentam desafios para ampliar o uso da tecnologia em escala, especialmente em áreas como governança, qualificação profissional, integração de sistemas e infraestrutura. Essa análise é feita pela Deloitte com base no estudo global “State of AI in the Enterprise”, lançado pela consultoria em 2026, considerando dados coletados junto a 375 empresas de LSHC em todo o mundo.

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A pesquisa evidencia que o setor vive uma transição da fase de experimentação do uso de inteligência artificial para a de implementação em escala. Dentre as entrevistadas, 85% das organizações afirmaram que aumentaram seus investimentos em IA e 78% demonstraram maior confiança na tecnologia. A maioria das empresas ainda tem aplicações relacionadas principalmente aos ganhos de produtividade e eficiência, mas 35% declararam que já estão usando IA para promover mudanças nos modelos de negócio, criando novos produtos e serviços, e 29% estão redesenhando processos-chave em torno da tecnologia.

“Os dados mostram que mais de um terço do setor já está mirando numa transformação mais profunda, mesmo considerando que ela exige mudanças estruturais, revisão de processos, integração de dados, governança e capacitação das equipes. No setor de saúde, isso é ainda mais sensível por envolver regulação, segurança de dados, validação clínica e impacto direto na experiência e nos resultados dos pacientes”, afirma Luis Fernando Joaquim, sócio-líder para a indústria de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

Além disso, pouco menos de um terço (28%) das organizações afirmam ter colocado em produção pelo menos 40% de seus experimentos em IA. No horizonte dos próximos três a seis meses, a previsão é que esse índice chegue a 57%, sinalizando aceleração dos projetos corporativos.

Entre os principais usos da IA no setor estão suporte à decisão clínica, diagnósticos por imagem, otimização do fluxo de pacientes, aceleração da descoberta de medicamentos, gestão de receitas e fortalecimento da cadeia de suprimentos de terapias críticas. No horizonte de longo prazo, as empresas também investem em medicina de precisão, manufatura inteligente, sistemas de qualidade e gestão populacional de saúde.

O especialista da Deloitte destaca que algumas dessas aplicações já são feitas no Brasil. “Na medicina diagnóstica, a IA é utilizada para personalização e predição; nos planos de saúde, para combate a fraudes; na indústria farmacêutica, para desenvolvimento de novas drogas; e nos hospitais, em robótica, análise de dados, consultas e atendimentos, por exemplo. Há também projeto na Anvisa para acelerar triagens e registros de novos medicamentos. Mas ainda há limitações para escalar iniciativas mais sofisticadas”, analisa o sócio da Deloitte.

Ele explica que o uso da IA na saúde no Brasil apresenta diferentes níveis de maturidade dependendo da região, do porte das organizações e da infraestrutura disponível. “Há exemplos avançados de adoção da IA, como hospitais inteligentes e cirurgias robóticas, só que essas iniciativas ainda precisam ser disseminadas. De forma geral, o uso ocorre mais em ciência de dados, analytics e automações administrativas e operacionais. Já a IA generativa ainda se concentra em iniciativas de pesquisa e desenvolvimento. Esse cenário é decorrente principalmente de uma postura de cautela no setor em relação aos custos de investimento nos modelos e aos desafios relacionados à governança e à definição de estratégias para implantação”, diz Luis Fernando Joaquim.

A pesquisa mostra que questões ligadas à governança aparecem entre as principais preocupações das organizações globais do setor. Privacidade e segurança de dados lideram os riscos apontados pelas empresas, citados por quase três em cada quatro entrevistados. Em seguida, aparecem conformidade legal, de propriedade intelectual ou regulatória; capacidades de governança e supervisão; e qualidade, consistência e explicabilidade do modelo.

Outro destaque do estudo é o crescimento da chamada IA agêntica, composta por sistemas autônomos capazes de executar tarefas complexas, tomar decisões e interagir com outros sistemas. Segundo a pesquisa, 72% das organizações do setor de saúde e ciências da vida pretendem adotar IA agêntica nos próximos dois anos. Atualmente, porém, apenas 19% afirmam possuir modelos maduros de governança para esse tipo de tecnologia, cenário que amplia preocupações relacionadas à segurança de dados, conformidade regulatória, monitoramento dos sistemas e controle de riscos. No setor de saúde, falhas em IA podem impactar diretamente decisões clínicas, operações e a confiança de profissionais e pacientes.

Há avanço ainda da chamada IA física, que combina inteligência artificial, sensores, robótica e sistemas automatizados para executar ações no mundo real. Hoje, pouco mais da metade (57%) das empresas do setor já utilizam algum tipo de IA física, percentual que deve alcançar 80% em dois anos. Esses percentuais são semelhantes às médias de empresas de outros setores, que são de 58% e 80%, respectivamente. As implementações incluem automação laboratorial, robótica colaborativa, logística hospitalar, manufatura farmacêutica e centros de distribuição.

No Brasil, a expansão da robótica e da IA física enfrenta obstáculos adicionais relacionados à infraestrutura e ao custo operacional. As operações remotas e soluções avançadas exigem redes de telecomunicações de alta velocidade, estabilidade de conexão e investimentos elevados em segurança cibernética.

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Fonte: TI Inside

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