Soberania digital vira arma das teles para bater big techs em data centers para IA
Operadoras de telecomunicações em diferentes regiões do mundo estão ampliando seus investimentos em infraestrutura de inteligência artificial diante da crescente demanda por capacidade de processamento e das pressões por soberania digital que favorecem provedores locais e soluções desenvolvidas internamente.
A avaliação consta do novo relatório Telcos’ Strategic Investments in AI Infrastructure, da consultoria Omdia, que aponta uma mudança estratégica com potencial para abrir novas frentes de crescimento no setor. Segundo o estudo, programas nacionais e regionais, como as chamadas gigafábricas de dados na União Europeia, estão criando espaço para que operadoras assumam protagonismo em projetos de grande escala, em vez de ceder esse terreno exclusivamente aos gigantes globais de nuvem.
Os resultados financeiros começam a aparecer. A Omdia cita o caso da sul-coreana SK Telecom, cuja operação de data centers representou 4% do faturamento no terceiro trimestre de 2025 e que projeta chegar a 1 trilhão de wons em receitas até 2030. A qatari Ooredoo, por sua vez, espera que infraestrutura digital responda por 12% de sua receita total em 2030, contra 3% em 2025.
O relatório afirma que as operadoras estão escalando suas capacidades de IA por meio de compromissos de investimento plurianuais, especialmente em nuvem, data centers, GPU como serviço e redes de acesso preparadas para IA. A movimentação envolve empresas na Ásia, Europa, Canadá e Oriente Médio, refletindo um ciclo mais longo de modernização tecnológica e reposicionamento estratégico.
Não existe, contudo, um modelo único de investimento. As abordagens variam quanto à estrutura, ao grau de exposição e ao perfil de risco. Algumas empresas criaram subsidiárias específicas para infraestrutura digital, como a Center3, da saudita STC, e a Scaleway, do grupo francês Iliad. Outras adotaram parcerias e joint ventures, como no caso da SingTel.
Para grupos como SK Telecom, SoftBank e Ooredoo, o investimento em infraestrutura de IA faz parte de uma reorientação estratégica mais ampla. Em determinados mercados, essa tendência também indica uma realocação estrutural de capital, com menos recursos destinados às redes tradicionais de conectividade.
Para Julia Schindler, principal analista de estratégia da Omdia, a aposta em infraestrutura de IA se consolidou como uma frente estratégica. Ela afirma que o crescimento acelerado do tráfego de aplicações de inteligência artificial, combinado com iniciativas de soberania tecnológica, cria uma janela de oportunidade que mais operadoras tendem a buscar nos próximos anos.
Fonte: Convergência Digital