Justiça Federal vai usar gamificação para treinar juízes em segurança cibernética
A Justiça Federal vai lançar ainda este ano um novo programa de capacitação voltado à segurança cibernética. A iniciativa, intitulada Exercícios de Segurança Cibernética na Justiça Federal, será promovida pela Corregedoria-Geral da Justiça Federal em parceria com o Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal.
A proposta parte do diagnóstico de que todo sistema informatizado, cedo ou tarde, será testado por falhas ou ofensivas externas, e que a diferença está na capacidade de resposta. Em vez de formações teóricas, o curso apostará em uma metodologia inovadora de gamificação para desenvolver competências práticas. Os participantes serão expostos a simulações colaborativas e imersivas, com atividades presenciais e a distância.
O programa busca preparar magistrados, gestores e equipes técnicas para uma atuação integrada diante de incidentes de cibersegurança, fortalecendo processos de governança, prevenção e resposta institucional. A iniciativa se alinha à Estratégia Nacional de Segurança Cibernética do Poder Judiciário, estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça por meio da Resolução 396 de 2021.
Um dos objetivos centrais é treinar antes da crise. A lógica é semelhante à de um conflito real, em que múltiplas tarefas e decisões precisam ser tomadas sob pressão. Reagir apenas no momento do ataque pode gerar prejuízos elevados, o que torna a preparação prévia um ativo estratégico. Para isso, o curso utilizará exercícios do tipo tabletop em mesas de discussão, com apoio de jogos de cartas e tabuleiro que aproximam a simulação do cotidiano das equipes técnicas e administrativas.
A capacitação será implementada nos Tribunais Regionais Federais e contará com três trilhas formativas voltadas a diferentes perfis: times de desenvolvimento de sistemas, equipes de segurança da informação e infraestrutura de TI, além de integrantes das Equipes de Tratamento e Resposta a Incidentes, o que inclui gestores, assessores, área jurídica, comunicação e especialistas técnicos. Cada tribunal poderá formar até três turmas de 20 participantes.
O conteúdo será ministrado em duas fases. A primeira será preparatória, realizada a distância com tutoria. A segunda consistirá em um encontro presencial dedicado a jogos e simulações destinadas a testar capacidades institucionais em ambiente seguro. A expectativa do Conselho da Justiça Federal é que a experiência contribua para criar cultura preventiva e ampliar o nível de maturidade em cibersegurança dentro do sistema de Justiça.
Fonte: Convergência Digital