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IXPIA FLORIPA: UFSC coloca Santa Catarina no radar da nova economia espacial

Um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) acaba de ganhar um investimento de quase R$ 5 milhões para ajudar a organizar e ampliar o setor espacial no estado. A proposta prevê a criação do Observatório da Economia Espacial Catarinense (OESC), uma estrutura que pretende reunir, pela primeira vez de forma permanente, informações sobre empresas, universidades, pesquisas, tecnologias e profissionais ligados à chamada nova economia espacial.

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O projeto coordenado pelo professor Eduardo Augusto Bezerra, do Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais (SpaceLab/UFSC), recebeu R$ 4.995.313,60 da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc). A execução está prevista para 26 meses.

A iniciativa foi selecionada no Edital de Chamada Pública Fapesc nº 27/2026, cujo resultado final de mérito foi divulgado em 3 de setembro. A chamada previa até R$ 5 milhões para uma única iniciativa estruturante voltada à integração e ao fortalecimento das capacidades catarinenses relacionadas ao setor espacial.

Na prática, a ideia é transformar uma série de conhecimentos, estruturas e iniciativas que hoje estão espalhados pelo estado em uma base organizada de informações capaz de apoiar pesquisas, investimentos, políticas públicas e novos negócios.

Observatório será instalado em Florianópolis

O OESC será implantado junto à Estação Terrena de Satélites e ao Hub de Inovação do SpaceLab, aproximando diferentes setores que já atuam, direta ou indiretamente, com tecnologia espacial.

A proposta envolve universidades, centros de pesquisa, empresas, startups, fornecedores da cadeia produtiva e órgãos públicos.

Santa Catarina já possui competências em áreas como sistemas espaciais, telecomunicações, inteligência artificial, ciência de dados, microeletrônica, automação, manufatura avançada, instrumentação científica, energia e oceanografia.

O desafio identificado pelo projeto é conectar essas capacidades.

Com o observatório, a intenção é criar uma estrutura contínua para identificar quem está produzindo conhecimento, quais tecnologias estão disponíveis, onde estão as empresas e laboratórios, quais são as necessidades do mercado e quais oportunidades podem ser desenvolvidas no estado.

Foto: Divulgação – UFSC – Agora Floripa.

Quase R$ 5 milhões e 41 bolsas

O projeto também abre espaço para estudantes e profissionais que queiram participar diretamente dessa construção.

O SpaceLab está selecionando 41 bolsistas. As inscrições começaram em 23 de setembro e seguem até as 23h59 de 30 de setembro de 2026.

São 20 bolsas de Iniciação Científica, com valor mensal de R$ 984,82; 10 bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial na modalidade DTI-B, de R$ 3.900 por mês; e 11 bolsas DTI-A, com valor mensal de R$ 5.200.

As oportunidades envolvem áreas como tecnologia, dados, sistemas espaciais, geotecnologias, gestão, inovação e divulgação científica.

As bolsas têm duração inicial de até 12 meses, com dedicação de 30 horas semanais. Entre as exigências está a residência em Santa Catarina durante o período da bolsa.

Os requisitos variam de acordo com cada vaga, e os interessados precisam consultar o edital do processo seletivo antes de realizar a inscrição.

De satélites a dados para enfrentar problemas do dia a dia

Apesar de envolver satélites e tecnologia espacial, o projeto não fica restrito ao universo da pesquisa aeroespacial.

Uma das propostas do observatório é justamente identificar como tecnologias e dados produzidos a partir do espaço podem ser utilizados para enfrentar desafios que fazem parte da rotina de Santa Catarina.

Entre as áreas previstas estão agricultura de precisão, monitoramento ambiental, acompanhamento de desastres naturais, apoio à Defesa Civil, gestão de recursos hídricos, logística, telecomunicações, inclusão digital e economia do mar.

Isso inclui tanto o desenvolvimento de equipamentos e sistemas quanto a utilização das informações geradas por tecnologias espaciais.

O projeto trabalha, por exemplo, com os conceitos de upstream e downstream da cadeia espacial. O primeiro reúne atividades como desenvolvimento de satélites, componentes, materiais e sistemas de lançamento. O segundo envolve aplicações, serviços e negócios construídos a partir de dados e tecnologias espaciais.

Um mapa da economia espacial catarinense

Uma das principais tarefas do OESC será realizar um levantamento estadual de empresas, startups, Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), laboratórios, projetos, infraestrutura e profissionais ligados ao setor.

A partir desse trabalho, o projeto pretende identificar lacunas, demandas e oportunidades.

Entre os resultados previstos está o Atlas da Economia Espacial Catarinense, além de uma plataforma digital com dados e indicadores de acesso público.

Também estão previstos um Censo Estadual do Setor Espacial, um plano estratégico de curto, médio e longo prazo e uma carteira de projetos prioritários para ajudar na atração de investimentos e no estímulo à inovação.

O observatório ainda deverá produzir relatórios de inteligência econômica e tecnológica, estudos aplicados e provas de conceito.

Rede pretende aproximar universidades, empresas e governo

Outra frente do projeto será a criação da Rede Catarinense da Economia Espacial.

A proposta é manter uma conexão permanente entre academia, governo, indústria e demais organizações que fazem parte desse ecossistema.

A intenção é facilitar a circulação de conhecimento e aproximar aquilo que é desenvolvido em universidades e centros de pesquisa das necessidades encontradas pelas empresas e pela sociedade.

Também estão previstas ações de formação e capacitação.

Os resultados produzidos pelo observatório deverão servir de apoio para pesquisas, políticas públicas, investimentos, transferência de tecnologia e criação de novos negócios.

A expectativa prevista no projeto inclui ainda a geração de empregos qualificados e a ampliação da participação de instituições catarinenses em programas nacionais e internacionais.

Mais de 30 anos de história espacial na UFSC

O novo observatório parte de uma trajetória que já dura mais de três décadas.

A UFSC mantém atuação no setor espacial por meio de pesquisas, formação de profissionais, pós-graduação e projetos tecnológicos. Essa história também inclui o curso de Engenharia Aeroespacial e missões desenvolvidas com participação da universidade.

Entre elas estão FloripaSat-1, FloripaSat-2A, FloripaSat-2B, GOLDS-UFSC e Constelação Catarina.

A experiência acumulada será utilizada como uma das bases para o novo observatório.

A construção do projeto também reuniu pesquisadores e instituições de diferentes regiões e países. Participaram da elaboração integrantes ligados à UFSC, Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Universidade de Brasília (UnB), Universidade da Força Aérea (Unifa), Universidade de Montpellier, na França, Centro Universitário SATC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Webphy Tecnologia e Instituto STAR T, além de parceiros do Brasil e do exterior.

Santa Catarina de olho na nova economia espacial

O conceito de nova economia espacial, conhecido internacionalmente como New Space, envolve uma transformação no setor espacial, com maior participação de empresas, startups, universidades e novos modelos de negócios e aplicações.

É nesse cenário que o Observatório da Economia Espacial Catarinense pretende atuar.

Ao reunir dados que hoje estão distribuídos entre diferentes instituições, a iniciativa busca construir uma visão mais ampla do que Santa Catarina já possui em tecnologia espacial e também das oportunidades que podem surgir nos próximos anos.

O projeto está alinhado ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), ao Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Com execução prevista para 26 meses, o OESC terá entre suas principais missões transformar informações, pesquisas e conexões existentes no estado em conhecimento organizado, planejamento estratégico e novas possibilidades de cooperação científica, tecnológica e econômica.

Para Florianópolis e para Santa Catarina, o projeto coloca a pesquisa espacial no centro de uma estrutura que pretende conectar conhecimento produzido nas universidades, tecnologia desenvolvida por empresas e demandas concretas do território catarinense.

FONTE: AGORA FLORIPA

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