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Instituto Mamirauá realiza curso de multiplicadores em sistemas agroflorestais sem uso do fogo para técnicos da região de Tefé no Amazonas

O Curso de Multiplicadores de Manejo de Sistemas Agroecológicos é composto por três módulos. O primeiro foi realizado em 2025 e teve como tema a produção agroecológica e os processos para certificação orgânica. O segundo, realizado neste mês de junho, abordou a Implantação e o Manejo de Sistemas Agroflorestais sem o Uso do Fogo. Já o terceiro e último módulo está previsto para 2027 e tratará do Manejo de Abelhas Nativas sem Ferrão.

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Técnicos de organizações governamentais e não governamentais da região de Tefé, moradores das comunidades da Missão e São Raimundo de Cima, localizadas no entorno da Floresta Nacional (Flona) de Tefé, no estado do Amazonas, participaram entre os dias 01 e 07/06 do II Módulo do Curso de Multiplicadores de Manejo de Sistemas Agroecológicos, voltado à implantação e ao manejo de Sistemas Agroflorestais sem o uso do fogo. O treinamento reuniu 66 pessoas e foi realizado pelo Instituto Mamirauá, no âmbito do projeto Entre Águas Amazônicas.

Desenvolvido com base nas políticas nacionais de conservação ambiental, o curso teve como principal objetivo apresentar alternativas agrícolas sustentáveis que dispensam as queimadas, prática ainda amplamente utilizada em muitas comunidades amazônicas. Neste módulo II, a programação fortaleceu as habilidades dos técnicos de assistência técnica e extensão rural que atuam em Tefé, Alvarães, Maraã, Uarini e Fonte Boa.

A iniciativa incentivou a diversificação da produção agrícola associada ao cultivo da mandioca para a produção de farinha, alimento amplamente consumido na região. Além da sensibilização para o não uso do fogo, o módulo também promoveu a adoção de práticas agroecológicas e de manejo sustentável em substituição aos sistemas convencionais, que fazem uso do fogo.

De acordo com a coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA) do Instituto Mamirauá, Fernanda Viana, o curso trouxe uma nova abordagem em relação às edições anteriores. “A gente teve uma maior representatividade do corpo técnico de cinco municípios daqui da região. O curso traz como inovação o desenvolvimento das práticas de implantação de roçados diversificados, com outros cultivos de espécies agrícolas, junto com a mandioca, que são cultivados sem uso do fogo. Já tínhamos algumas experiências desenvolvidas aqui e estamos trabalhando com pessoas que atuam diretamente junto aos agricultores, para que se tornem futuros multiplicadores dessas práticas mais sustentáveis”, explicou.

Durante os sete dias de atividades, os participantes implantaram dois sistemas agroflorestais (SAFs) sem o uso do fogo e discutiram temas relacionados à gestão e ao manejo desses sistemas. Também foram abordados diferentes modelos de SAF, como quintais agroflorestais, além da legislação sobre o uso do fogo e dos serviços ambientais. O curso reforçou a importância do fortalecimento do corpo técnico e da participação das comunidades na conservação e no uso sustentável dos recursos naturais.

Vozes das Comunidades

Na Comunidade da Missão, o projeto implantou um Sistema Agroflorestal com foco principal no cultivo de café. A área também poderá ser utilizada futuramente para a introdução e o manejo de outras espécies e sementes de interesse das comunidades. Para Ediney Gonçalves Marinho, presidente da Comunidade São Raimundo de Cima, a iniciativa representa uma oportunidade de acesso a novos conhecimentos e benefícios para a população local.

“Pra gente é uma imensa satisfação uma equipe completa do Instituto Mamirauá trazendo uma capacitação que está totalmente ligada à inovação pra nossa comunidade. Eu, como presidente, me sinto muito honrado e satisfeito de ter uma equipe tão capacitada trazendo benefício pra nós”, afirmou.

Entre os participantes esteve o gerente do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) de Uarini, Jarleson Lopes, que destacou a importância das novas técnicas apresentadas durante a formação. “Essa experiência está sendo ótima, uma vez que hoje o nosso sistema convencional de produção ainda é muito baseado no fogo. Através desse curso, estamos vendo que existem novas técnicas que permitem utilizar a terra sem degradar o meio ambiente, com a implantação do sistema agroflorestal”, disse.

Sobre o Projeto Entre Águas Amazônicas

O Projeto Entre Águas Amazônicas vem fomentando e implementando, desde fevereiro de 2025, estratégias de conservação participativa aliadas à geração de renda e à segurança alimentar em áreas de mangue e várzea, ecossistemas prioritários para a conservação e para a inovação em pesquisa científica em bioeconomia na Amazônia.

As áreas protegidas contempladas pelo projeto, somadas, representam um território maior que a Suíça e envolvem, de ponta a ponta, as reservas extrativistas da Costa Paraense, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Terras Indígenas no Amazonas, a Floresta Nacional e a Floresta Estadual do Amapá, entre outras áreas de importância socioambiental.

O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no papel de agência implementadora e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) como agência executiva. A execução do projeto é de responsabilidade do Instituto Mamirauá, centro de excelência em pesquisa aplicada vinculado ao MCTI.

Fonte: Mamiraua

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