Idec critica urgência no Redata e aponta riscos socioambientais de data centers
O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) manifestou preocupação com a condução do Projeto de Lei nº 278/2026, nova aposta do governo para instituir o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Centers (Redata).
Segundo a entidade, a articulação para votar um requerimento de urgência na Câmara dos Deputados reduz o tempo de análise parlamentar sobre o tema e limita o debate público sobre os impactos da proposta.
De acordo com o Idec, a justificativa de evitar a caducidade da Medida Provisória nº 1312/2025 tem levado à aceleração da tramitação, priorizando a concessão de incentivos fiscais a grandes empresas do setor sem uma avaliação aprofundada dos efeitos socioambientais, territoriais e tarifários associados à expansão dessas infraestruturas.
Para o Idec, o debate legislativo sobre o Redata deve ocorrer nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados, com realização de audiências públicas. “Sem esses elementos, a aprovação acelerada do Redata representa um retrocesso na proteção do interesse público e impõe custos indevidos à sociedade”, aponta a entidade no comunicado.
Fragilidades
Segundo o Idec, o modelo proposto é frágil desde a formulação inicial dele. “O texto atualmente em discussão mantém essas lacunas e aprofunda um desenho que favorece a atração de grandes corporações por meio do acesso a energia e recursos naturais a baixo custo, sem contrapartidas proporcionais para a sociedade brasileira”
Nesse sentido, a principal crítica realizada pelo Idec é de que, nesse cenário, “os benefícios econômicos tendem a se concentrar fora do País, enquanto os custos ambientais, energéticos e tarifários permanecem internalizados”.
Já em relação às condicionantes socioambientais, a entidade aponta fragilidades nas exigências previstas para a fruição dos benefícios fiscais. Foi destacado, por exemplo, a permissão vista como genérica para uso de “energia limpa”, sem delimitação de fontes de baixo impacto, além da “admissão de mecanismos de compensação que não garantem a efetiva redução de impactos ambientais”.
O documento também ressalta que o projeto estabelece limites apenas para o uso da água, “sem critérios claros para o consumo de energia“.
Outro ponto de atenção foi a ausência de salvaguardas específicas para povos indígenas e comunidades tradicionais. “Não há previsão de mecanismos específicos de salvaguarda nem de consulta prévia, livre e informada, o que amplia o risco de conflitos e violações de direitos em territórios já vulnerabilizados, especialmente em regiões direcionadas à expansão de grandes infraestruturas digitais”, argumenta a entidade.
Fonte: Teletime