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Estudo mapeia práticas de aferição de idade em serviços digitais no Brasil

Estudo inédito, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), revela que a maior parte dos serviços digitais (21 dos 25 analisados) populares entre o público infantojuvenil no país ainda não adota mecanismos de aferição de idade no momento do cadastro, incluindo aqueles voltados ao público adulto.  Na maioria dos casos analisados, a aferição de idade ocorre posteriormente, para liberar funcionalidades específicas, como transmissões ao vivo ou monetização.

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Uma prévia dos resultados do estudo “Práticas de aferição de idade em 25 serviços digitais usados por crianças no Brasil”, levantamento conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), foi apresentada nesta quarta-feira (18), em Brasília, durante o evento “ECA Digital – Proteção de Crianças e Adolescentes: Perspectivas Globais e Multissetoriais para a Implementação da Lei”. Na ocasião, o Cetic.br também lançou o livro da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.

O estudo analisou documentos de governança disponibilizados publicamente por 25 plataformas de diversos segmentos, que vão de redes sociais e jogos a serviços de apostas, no cenário anterior à vigência do ECA Digital. Em vigor a partir desta quarta-feira (18), a nova lei exige que serviços de tecnologia da informação direcionados a crianças e adolescentes no país, ou de acesso provável por eles, adotem métodos efetivos de aferição etária e supervisão parental.

Para viabilizar a aferição de idade (que engloba mecanismos de verificação e estimativa etária), quase metade das plataformas (11 de 25), especialmente redes sociais e ferramentas de inteligência artificial generativa recorre a serviços terceirizados. Entre os métodos de verificação de idade identificados, o envio de documento oficial é o mais utilizado. Já entre os métodos de estimativa de idade, o mais comum é a selfie em foto ou vídeo.

O levantamento indicou, ainda, discrepâncias entre as idades mínimas informadas pelos serviços digitais e as indicadas por lojas de aplicativos. Embora plataformas voltadas a adultos, como jogos online e marketplace, estabeleçam idade mínima de 18 anos, em alguns casos, é possível o uso por pessoas abaixo dessa idade mediante consentimento dos pais ou responsáveis.

O estudo mostrou também que, apesar de a maior parte dos serviços (15 de 25) oferecer mecanismos de supervisão parental, a ativação na maioria das vezes é facultativa e deve ser ativamente realizada pelos responsáveis.

Outro ponto crítico é a necessidade de ampliação de práticas de transparência: apenas seis dos 25 serviços avaliados publicam relatórios com dados sobre o Brasil, e somente um deles detalha a aplicação de sua política de idade mínima.  O levantamento evidenciou ainda a dificuldade de acesso à informação sobre as regras de uso dos serviços por crianças e adolescentes, com políticas dispersas em múltiplas páginas (uma média de 22 por serviço), muitas vezes indisponíveis em português (40% possuem conteúdos sobre o tema em outros idiomas) e escritas em linguagem de difícil compreensão para os usuários.

“Um dos eixos centrais do estudo foi verificar a integridade das informações disponibilizadas pelos serviços digitais no Brasil. É fundamental que os dados sobre proteção etária sejam comunicados com clareza e acessibilidade, permitindo uma supervisão parental mais consciente e eficaz”, destaca Fábio Senne, Coordenador Geral de Pesquisas do Cetic.br | NIC.br.

“Este levantamento foi desenvolvido para subsidiar o debate sobre a implementação do ECA Digital e oferecer uma compreensão clara do cenário atual. Esta iniciativa integra um conjunto mais amplo de ações do CGI.br e do NIC.br voltadas a fornecer evidências técnicas que apoiem a aplicação efetiva da lei. Nosso compromisso é fomentar um ecossistema digital mais seguro e responsável para as crianças e adolescentes no Brasil”, afirma Juliano Cappi, gerente da Assessoria em Políticas Públicas Digitais do CGI.br | NIC.br.

O estudo tem como referência a metodologia adotada no technical paper “Age assurance practices of 50 online services used by children”, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2025. Todas as informações foram coletadas entre 10 e 30 de janeiro deste ano, em documentos disponibilizados publicamente pelos serviços no Brasil, tais como termos de uso e códigos de conduta e  outros documentos específicos sobre aferição etária, totalizando 550 páginas analisadas.

Para conhecer mais detalhes do estudo, acesse aqui.

Fonte: TI Inside

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