Dois entre 10 profissionais se sentem preparados para uso de IA no trabalho, aponta estudo
Apenas 19,3% dos profissionais brasileiros afirmam se sentir preparados para usar Inteligência Artificial no ambiente de trabalho. É o que revela o quarto capítulo da série Panorama do Trabalho no Brasil, mapeamento realizado pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, e ajuda a explicar por que, apesar do avanço da tecnologia, a maioria dos profissionais ainda se percebe em fase de adaptação. A Geração Z é a que se sente mais preparada para lidar com IA no trabalho (22,8%). Já, 60,5% dos profissionais dizem estar apenas parcialmente preparados, evidenciando um cenário de transição no uso da tecnologia no ambiente profissional.

Para Fernanda Guglielmi, gerente de Recursos Humanos da Serasa Experian, a maior afinidade da Geração Z com a tecnologia está relacionada ao contexto em que esses profissionais se desenvolveram. “A Geração Z não percebe a tecnologia como uma ferramenta externa, mas como parte do ambiente em que cresceu. A Inteligência Artificial não é ‘nova’ para esses profissionais, porque eles se desenvolveram interagindo com sistemas inteligentes e veem a tecnologia como uma extensão da própria criatividade, não como algo a ser aprendido ou temido. É fundamental que gestores de RH e líderes entendam esse contexto, porque ele impacta diretamente produtividade, engajamento, atração de talentos, aprendizado, ética e competitividade das empresas”, afirma.
Percepção sobre o uso da Inteligência Artificial no trabalho
Além do nível de preparo, o mapeamento analisou como os profissionais avaliam os avanços da Inteligência Artificial no ambiente corporativo. Mais da metade dos entrevistados (57,8%) afirma ter uma percepção neutra sobre o uso da tecnologia no trabalho, enquanto 32,7% avaliam de forma positiva e 9,5% de forma negativa.
Entre as gerações, os profissionais da Geração X são os que apresentam a percepção mais positiva sobre a Inteligência Artificial no trabalho (35,2%), seguidos pelos Millennials (33,8%), Baby Boomers (29,4%) e pela Geração Z (26,3%). Apesar de ser a geração que mais se sente preparada para utilizar a tecnologia, a Geração Z é também a que demonstra a percepção positiva mais baixa sobre seus impactos. Em todas as faixas etárias, no entanto, predomina a avaliação neutra sobre o uso da Inteligência Artificial no ambiente profissional.
“O fato de a maioria dos profissionais avaliar a Inteligência Artificial de forma neutra mostra que o mercado ainda está em fase de observação e adaptação. As pessoas estão testando, entendendo e esperando diretrizes mais claras sobre como a tecnologia será incorporada ao trabalho de forma responsável e sustentável”, explica.

Percepção positiva está ligada a ganhos práticos
Entre os profissionais que avaliam a Inteligência Artificial de forma positiva, 58,2% associam a tecnologia ao aumento da produtividade e da eficiência, percentual idêntico ao dos que destacam a redução de tarefas repetitivas. Além disso, 36,1% afirmam que a IA pode liberar mais tempo para atividades criativas e estratégicas, enquanto 26,3% enxergam a tecnologia como uma oportunidade para ampliar possibilidades de carreira e aprendizado. Confira no gráfico abaixo:

“Quando a IA contribui para ganhos reais, como aumento de produtividade, eficiência e redução de tarefas repetitivas, ela passa a ser vista de forma mais positiva. Isso mostra que a forma como a tecnologia é integrada ao trabalho faz toda a diferença para que as pessoas consigam extrair valor dessas ferramentas”, finaliza.
Sobre a série Panorama do Trabalho no Brasil
A série Panorama do Trabalho no Brasil reúne capítulos temáticos baseados em mapeamentos realizados pela Serasa Experian para analisar diferentes aspectos da relação entre profissionais e empresas no país. O levantamento que compõe este capítulo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025 com 1.521 profissionais economicamente ativos ou em busca de emprego, de diferentes gerações e regiões do Brasil. A amostra é representativa da população pesquisada e a margem de erro do estudo é de 3%.
Fonte: TInside