De IA a cirurgias robóticas: os planos de Lula para as áreas de Ciência e Tecnologia
Propostas incluem prontuário integrado, apoio ao diagnóstico e monitoramento de crimes ambientais por satélite
Lula (PT): presidente foi reeleito para a liderança do Palácio do Planalto (Ricardo Stuckert /Flickr/Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu as eleições de 2026 e garantiu seu quarto mandato no Palácio do Planalto. Com 100% das urnas apuradas, o petista foi reeleito Presidente da República com 64.256.232 votos (51,79%). Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos (48,21%).
A trajetória conhecida pelo eleitorado e o ganho de popularidade após os embates com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão entre os fatores que favoreceram sua candidatura. Para conquistar a reeleição, porém, Lula enfrentou desafios como a percepção de encarecimento do custo de vida e o endividamento das famílias.
Plano prevê expansão da saúde digital
O programa de governo reúne propostas para ampliar o uso de tecnologia no atendimento à população, embora dedique parte do espaço a iniciativas do atual mandato. Na atenção básica, a campanha prevê reforçar a oferta de teleconsultas, orientações e acolhimento a distância.
Outra proposta é acelerar a implantação do prontuário único do cidadão, com integração pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). O objetivo é permitir que pacientes agendem consultas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e consultem resultados de exames pelo celular, com prioridade para regiões de vulnerabilidade social.
O documento também inclui telecirurgias, procedimentos com robôs e hospitais inteligentes entre as iniciativas de modernização da rede de saúde em um eventual quarto mandato.
Inteligência artificial ganha espaço no programa
A inteligência artificial apareceu com mais frequência no programa de 2026 do que no apresentado pela campanha em 2022. Naquele ano, a expressão foi mencionada uma vez. No documento atual, são onze ocorrências por extenso e pelo menos quatro referências à sigla IA, o que soma ao menos 15 menções.
As propostas distribuem o uso da tecnologia entre serviços públicos, atendimento médico, produção, infraestrutura digital e fiscalização ambiental. Veja os compromissos apresentados:
Transparência pública: investir no Portal da Transparência para incorporar recursos de inteligência artificial e ampliar o uso de dados abertos.
Atendimento em saúde: acelerar a adoção de IA na triagem de pacientes, na identificação de casos graves, na organização do atendimento conforme o risco clínico e no apoio ao diagnóstico em locais com falta de especialistas.
Acesso a especialistas: aplicar a tecnologia à regulação do encaminhamento de pacientes para a atenção especializada.
Direitos autorais: buscar a aprovação de uma lei para o ambiente digital e regulamentar a IA para assegurar remuneração a artistas, músicos e autores quando plataformas utilizarem conteúdo brasileiro.
Infraestrutura digital: estimular uma cadeia nacional de tecnologia, dos centros de processamento e armazenamento de dados aos serviços de computação em nuvem, com a intenção de posicionar o país entre as lideranças em IA.
Setor produtivo: ampliar a adoção da tecnologia, sobretudo na agropecuária, na saúde e nos serviços financeiros.
Pesquisa e desenvolvimento: destinar recursos públicos a instituições que desenvolvam equipamentos e programas com uso de IA.
Fiscalização ambiental: expandir o monitoramento por satélite com inteligência artificial para combater crimes ambientais.
FONTE: EXAME