Com nova Indústria Brasil, ABDI retoma apoio à execução da política industrial
A política industrial brasileira completa dois anos desde o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB) e se consolida como pilar da estratégia econômica do governo federal para a reindustrialização do país. Lançada em janeiro de 2024, a iniciativa retomou uma política industrial ativa, voltada à reconstrução da capacidade produtiva, à geração de empregos e ao fortalecimento da competitividade e da soberania econômica.
Com horizonte até 2033, a NIB prevê a mobilização de R$ 3,4 trilhões em investimentos públicos e privados. Os recursos do Plano Mais Produção, principal instrumento de financiamento da NIB, saltaram para R$ 643,3 bilhões no último ano. Desse total, já foram destinados R$ 588,4 bilhões, entre 2023 e 2025, para 406 mil projetos em todas as regiões, alinhados às seis missões da NIB. Os investimentos têm fortalecido fábricas, modernizado máquinas, estimulado a adoção de novas tecnologias e apoiado empresas de todos os portes a produzir mais, com eficiência e sustentabilidade.
Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a NIB representa uma política industrial moderna e alinhada às necessidades do país. “Ela respeita as capacidades já instaladas de diversos setores, adota experiências exitosas de outros países e se organiza em seis missões. Implementada de maneira transparente e em diálogo com empresários e trabalhadores, a NIB engloba ações regulatórias e de apoio financeiro, por meio de uma ampla articulação de instituições públicas, incluindo o papel estratégico da ABDI, objetivando fortalecer nossas cadeias produtivas em novas bases: uma indústria mais competitiva, mais exportadora, mais inovadora e mais sustentável”.
O caráter estruturante da NIB também é destacado pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, para quem a retomada da política industrial recoloca o Estado como indutor do desenvolvimento produtivo e tecnológico. “Após anos sem uma política industrial estruturada, o Brasil voltou a ter uma estratégia nacional para fortalecer sua base produtiva, ampliar a competitividade e promover o desenvolvimento. Desde 2024, a NIB representa esse novo ciclo, e a Agência exerce importante papel na implementação de projetos estratégicos que impulsionam a neoindustrialização, a geração de empregos e o fortalecimento da soberania econômica do país”, afirma.
Na prática, a ABDI se consolida como um dos principais braços de execução da NIB, transformando diretrizes estratégicas em programas, projetos, plataformas e ações concretas. A Agência atua na ponta da política pública, articulando estados, municípios, empresas e instituições de ciência, tecnologia e inovação para levar a NIB do planejamento à implementação no território e no chão de fábrica.
Atuação alinhada às seis missões da NIB
Estruturada em seis missões, a política industrial se organiza em torno de prioridades nacionais, como cadeias agroindustriais sustentáveis; Complexo Econômico-Industrial da Saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis; transformação digital da indústria; bioeconomia e transição ecológica; além do desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a defesa e a soberania nacional.
Cadeias agroindustriais sustentáveis
Nas cadeias agroindustriais, a ABDI executa iniciativas como o Agro 4.0, com incentivos à adoção e difusão de novas tecnologias no campo. Editais regionais têm estimulado a agricultura de precisão, com foco no aumento da produtividade e da sustentabilidade. A Agência também apoiou a criação de laboratórios de alta tecnologia em parceria com Institutos Federais, como no Acre, em Brasília e no Tocantins.
De forma complementar, a ABDI realizou o mapeamento de máquinas e implementos agrícolas como uma ação alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB) e ao MDIC, contribuindo para a articulação com o setor para ampliação para a agricultura familiar.
Alinhada a esta missão, ainda, a ABDI lançou a Plataforma Digital de controle e rastreabilidade para Indicações Geográficas Brasileiras do Café. Ao todo, são 16 IGs de café beneficiadas pela plataforma, com cerca de 4.000 produtores abrangidos. Para 2026, esta plataforma será escalada para as IGs de mel e queijo.
Modernização regulatória e redução do Custo Brasil
O tempo de resposta das agências reguladoras é um fator crítico para o funcionamento dos setores produtivos. Por meio do programa Destrava Brasil, a ABDI avançou na modernização regulatória, com destaque para a Agência Nacional de Mineração (ANM). A iniciativa apoiou a análise de mais de 40 mil processos com o uso de inteligência artificial, analisou 135 resoluções e 15 portarias, além de redesenhar cinco macroprocessos internos, reduzindo filas e acelerando a tomada de decisão da equipe técnica da ANM.”
O programa também abarca a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a cooperação busca ampliar a competitividade e a inovação no setor farmacêutico, por meio da modernização tecnológica, do aperfeiçoamento de processos e do cumprimento dos prazos regulatórios.
Também será utilizada inteligência artificial para automatização da extração e comparação de informações críticas dos processos de pedidos de registro e pós-registro de medicamentos.
Já com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o foco da parceria é melhoria da eficiência, automação e modernização dos processos de exames de desenho industrial, via construção de ferramentas de inteligência artificial para apoiar requerentes e examinadores nos pedidos de registro.
Inovação e compras públicas para desenvolvimento
A ABDI lidera a agenda de inovação no setor público com iniciativas como o Hubtec, primeiro escritório de encomendas tecnológicas do país. A estrutura viabiliza a contratação de soluções inéditas por meio de compras públicas para inovação, com orientação a gestores públicos e empresas estatais.
Com a InovaCPIN 2.0, plataforma nacional de compras públicas para inovação, a Agência consolida as contratações para soluções inovadoras como instrumento estratégico de política industrial e de desenvolvimento tecnológico. A iniciativa inclui parcerias com grandes estatais, como Petrobras e Correios, para acelerar a adoção de tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data.
O trabalho do HUBTEC/ABDI foi determinante para reduzir, nos clientes atendidos, o tempo médio de planejamento e estruturação de contratações de pesquisa, desenvolvimento e inovação, ao mesmo tempo em que aumentou a atratividade dos contratos para potenciais fornecedores. Esse ganho de velocidade e tração de mercado ocorreu sem relativizar a segurança jurídica: ao contrário, resultou de maior clareza de objeto, melhor desenho de riscos e evidências processuais mais robustas.
Infraestrutura e modernização do gasto público
Para impulsionar a transformação digital no setor da construção, a ABDI atua na difusão da metodologia Building Information Modeling (BIM), que se baseia em modelos digitais inteligentes e integrados ao longo de todo o ciclo de vida da obra, contribuindo para maior eficiência, redução de desperdícios e melhoria na gestão de projetos públicos e privados.
A atuação da Agência se estrutura em duas frentes principais. A primeira é a manutenção da Plataforma BIM e da Biblioteca Nacional BIM, que ampliam o acesso a conteúdos técnicos padronizados e apoiam a adoção da metodologia no país. A segunda é o Democratizando BIM, que em 2025 passou a incluir também a capacitação de agentes públicos, com ações presenciais e on-line voltadas ao planejamento, à execução e à fiscalização de obras.
A relevância do BIM para o setor da construção pode ser observada em experiências como a do Complexo Prisional de Araçoiaba (PE), onde a aplicação da metodologia permitiu a identificação de mais de 500 conflitos ainda na fase de projeto, evitando retrabalhos e gerando economia significativa de recursos — um exemplo do potencial do BIM para qualificar obras públicas.
Transformação digital e produtividade
Na transformação digital da indústria, a ABDI é parceira do Brasil Mais Produtivo, principal programa nacional de produtividade. Em dois anos, a iniciativa já atendeu 40 mil micro, pequenas e médias empresas industriais, com aumento médio de 28% na produtividade e ganho de 18% em eficiência energética.
Programas como o MetaIndústria e o E-commerce.BR também reforçam essa atuação ao apoiar a adoção de tecnologias digitais pelas empresas. O MetaIndústria atendeu 251 empresas, que planejam investir cerca de R$ 845 milhões em soluções da Indústria 4.0. Já o E-commerce.BR atua para ampliar a participação de empresas do Centro-Oeste, Nordeste e Norte no comércio eletrônico, que hoje é 90% concentrado no Sudeste e Sul, contribuindo para a redução das disparidades regionais, digitalização e o aumento da competitividade da indústria.
Bioeconomia, descarbonização e transição energética
Na agenda de bioeconomia e transição energética, a ABDI apoia empresas na mensuração de emissões, na adoção de tecnologias mais limpas e na economia circular. Entre os destaques está o Recircula Brasil, plataforma que já rastreou e certificou cerca de 50 mil toneladas de plástico reciclado, conectando mais de 300 fornecedores e 1.500 clientes. O programa também anunciou a ampliação para novas cadeias, como a do alumínio.
Defesa, aeroespacial e soberania
No eixo de defesa e aeroespacial, a ABDI executa ações estratégicas no âmbito do Projeto Complexo Industrial de Defesa, com painéis de prospectiva, mapeamento tecnológico e qualificação profissional. As iniciativas fortalecem a Base Industrial de Defesa e contribuem para a autonomia tecnológica e a soberania nacional.
Monitoramento, avaliação e inteligência de dados
Além da execução, a ABDI assumiu o papel de monitoramento e avaliação das ações da Nova Indústria Brasil. Para isso, foi criado o Observatório da Indústria, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O Observatório será o principal hub de dados e análises sobre a indústria brasileira, apoiando o acompanhamento das seis missões e dos 21 nichos industriais priorizados pela NIB, além de fortalecer o planejamento, a transparência e a tomada de decisão baseada em evidências.
Para o presidente da ABDI, o conjunto de ações lançadas sob o guarda-chuva da Nova Indústria Brasil está revertendo o cenário da indústria brasileira, destravando investimentos e criando condições para um novo ciclo de crescimento.
“A indústria do século XXI é inovadora e sustentável. A inovação é a chave do nosso trabalho. Acredito que temos um horizonte promissor; sou otimista quanto ao futuro do país e, portanto, ao futuro da Agência, que completou 21 anos em janeiro. Quanto mais forte for a indústria, maior será a necessidade de fortalecer e ampliar o papel da ABDI e, consequentemente, da nossa política industrial”, afirma Ricardo Cappelli.
Fonte: TI Inside