MENU

HOME

Consecti

Consecti Consecti

Brasil corre risco de receber carros menos tecnológicos, afirma Transatel

O Brasil pode ficar para trás na adoção de veículos conectados caso persistam gargalos de infraestrutura de telecomunicações nas rodovias. A avaliação é da Transatel, operadora móvel virtual (MVNO) especializada em Internet das Coisas (IoT) e conectividade automotiva, e que faz parte do grupo japonês NTT.

Transatel-696×435

A empresa aponta que ainda há no País uma limitação da cobertura móvel que surge como obstáculo para a evolução de aplicações digitais embarcadas e, futuramente, para a chegada de veículos com maior grau de autonomia.

“O Brasil pode ficar para trás, sim, com carros menos tecnológicos, menos eficientes e, por consequência, uma experiência para o consumidor brasileiro diferente do resto do mundo“, disse ao TELETIME o diretor de mercado Brasil e América Latina da companhia, Thiago Mello.

“Os novos veículos conectados são definidos por software. São como um grande smartphone“, afirmou o executivo. Para ele, a dificuldade de manter os carros permanentemente conectados pode limitar o acesso a funcionalidades relacionadas a entretenimento, telemetria, monitoramento remoto, manutenção preventiva e serviços digitais embarcados.

Multioperadoras

A Transatel é uma das provedoras que apostam em chips multioperadora para mitigar os impactos da falta de conectividade em rodovias do País. Dessa forma, se o carro perde o sinal de uma determinada operadora, ele vai se conectar automaticamente à outra rede disponível.

“Fora do Brasil, as montadoras [de veículos conectados] exigem que empresas como a Transatel têm que ter, pelo menos, duas operadoras no local onde o veículo será comercializado”, afirmou. Segundo ele, essa prática é especialmente comum em países de grande extensão territorial, onde há diferenças expressivas de cobertura entre as redes móveis.

“Para as montadoras, isso é muito bom. Com conectividade, elas podem saber onde o carro está no momento de uma pane. E elas conseguem verificar os parâmetros do carro para checar se há algo alarmante no veículo que o usuário não se ateve durante uma manutenção preventiva”, disse.

Ambiente regulatório

No campo regulatório, a MVNO defende medidas que facilitem a atuação de provedores globais de conectividade para aplicações de IoT e veículos conectados.

Já defendemos junto à Anatel a criação de regulações para empresas como a Transatel“, disse Mello. O objetivo seria criar condições que incentivem a oferta de múltiplas coberturas móveis para aplicações conectadas, que reduzam a dependência de uma única rede.

Mello argumentou que empresas globais de IoT operam com necessidades diferentes das operadoras tradicionais e poderiam se beneficiar de um ambiente regulatório mais favorável à conectividade multioperadora.

O executivo ressaltou ainda que o País possui regras específicas para a prestação de serviços móveis, incluindo limitações ao uso permanente de roaming internacional. Isso levou a companhia a estruturar uma operação local para atender programas de carros conectados de montadoras como BMW e Toyota no Brasil.

Saídas

A solução de chips multioperadores, no entanto, não impede totalmente as chances de desconexão no meio da estrada. Mesmo corredores logísticos tradicionais com alto fluxo de veículos estão sujeitos a zonas cinzas de cobertura. Em rodovias longas ainda mais afastadas de centros urbanos, o desafio da conexão é maior.

Embora considere a expansão do 5G fundamental para o avanço dos carros conectados, Mello avaliou que a nova geração móvel não será suficiente para resolver todos os gargalos de cobertura das rodovias brasileiras.

Isso porque o modelo econômico das operadoras tenderia a concentrar investimentos em áreas urbanas com maior densidade de usuários, enquanto trechos rodoviários continuam apresentando lacunas de cobertura.

Apesar disso, o executivo apontou iniciativas de redes privativas desenvolvidas por concessionárias de rodovias como uma alternativa complementar para aplicações futuras de comunicação veículo-para-tudo (V2X), que permite que carros, pedágios, sistemas de sinalização e infraestrutura viária trocam informações em tempo real.

A companhia também acompanha a evolução da conectividade via satélite como mecanismo complementar à cobertura celular. Sem citar nomes, a Transatel informou que realiza testes com um provedor de conectividade via satélites de baixa órbita no exterior.

“Vamos começar a fazer esse teste de conectividade satelital aqui no Brasil este ano. Imaginamos que, no próximo ano, a gente tenha uma aplicação comercial“, disse Mello.

Apesar disso, o executivo ressaltou que o satélite ainda enfrenta limitações de custo e disponibilidade. “Hoje, o meio de comunicação mais barato para os carros conectados continua sendo a conectividade celular“, afirmou.

Fonte: Teletime

Mais notícias