UFMG agrega inovação em acessibilidade a jogo premiado em festival
Magenta Arcade II, concebido por desenvolvedora belo-horizontina, incorporou funcionalidades que favoreceram a inclusão de pessoas com deficiência
Um jogo aprimorado por meio de parceria com a UFMG para incorporar soluções de acessibilidade acaba de receber reconhecimento nacional. O Magenta Arcade II, da desenvolvedora belo-horizontina Long Hat House Jogos Eletrônicos, conquistou o prêmio de Melhor Acessibilidade no Festival de Jogos do Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital (SBGames 2026).
O projeto Magenta Arcade II: estudo e implementação de acessibilidade para jogo digital teve como foco estudar, testar e implementar recursos capazes de ampliar a acessibilidade do jogo para diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência. Entre as funcionalidades inclusivas declaradas pela desenvolvedora na versão disponível para iOS na App Store estão o suporte ao VoiceOver, a ampliação de texto, a diferenciação de informações sem depender exclusivamente de cores, o contraste adequado e as legendas.
Criado especialmente para dispositivos móveis com tela sensível ao toque, o Magenta Arcade II utiliza o próprio dedo do jogador como elemento central da jogabilidade. Ambientado em Belo Horizonte, foi desenvolvido com o Godot Engine, plataforma gratuita e de código aberto para criação de jogos, e disponibilizado em português, inglês e espanhol. O projeto foi financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo.
O reconhecimento do trabalho veio no SBGames 2026, realizado de 29 de setembro a 2 de outubro, em Goiânia. O festival reúne pesquisadores, estudantes, desenvolvedores e profissionais da indústria e é reconhecido como o principal evento acadêmico e científico da área de jogos digitais no Brasil e na América Latina.
A consultoria na área de acessibilidade foi coordenada pela professora Virgínia Fernandes Mota, do Colégio Técnico da UFMG, e contou com a participação dos bolsistas Helena Muniz, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciência da Computação da UFMG, Heitor dos Santos, estudante de Matemática Computacional, e João Smolinski, estudante de Ciência de Dados e ex-aluno do curso de Desenvolvimento de Sistemas do Coltec.
Ação conjunta
O desenvolvimento do Magenta Arcade II foi contemplado pelo edital BH nas Telas – Edição Paulo Gustavo, promovido pela Secretaria de Cultura de Belo Horizonte. A cooperação entre a UFMG e a Long Hat House para consultoria na área de acessibilidade foi formalizada por meio de acordo de parceria para pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), com a interveniência da Fundação Christiano Ottoni (FCO), que ficou responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto.
Para a professora Virgínia Fernandes Mota, o resultado evidencia o potencial da inovação aplicada à inclusão em produtos digitais. “O projeto também mostra, na prática, como diferentes instrumentos podem se complementar no processo de inovação. De um lado, uma política pública de fomento à cultura contribuindo para viabilizar o desenvolvimento do jogo. De outro, a aproximação entre uma empresa e a Universidade possibilitando direcionar conhecimento científico e tecnológico para o desafio de tornar a experiência digital mais acessível”, reforça.
Para o diretor da FCO, professor Eduardo Chahud, “iniciativas como essa evidenciam o papel da cooperação entre academia e setor produtivo na transformação do conhecimento em soluções que chegam à sociedade, além da necessidade de fortalecer os ambientes que promovem a aproximação entre as duas esferas”.
FONTE: UFMG