Primeiro Congresso da UFRB destaca papel da ciência, da democracia e da soberania nacional
Conferência de Olival Freire destaca trajetória da ciência e tecnologia no Brasil
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) realizou, nessa terça-feira (13), a conferência de abertura do seu primeiro Congresso, que reúne a comunidade acadêmica e o público externo em torno de discussões sobre a produção científica e a inovação. A cerimônia ocorreu no Anfiteatro da Reitoria, no Campus de Cruz das Almas. Com o tema “Ciência e democracia em defesa da soberania”, o Congresso UFRB conta com mais de 4 mil inscritos, mais de 2 mil trabalhos aprovados e uma programação com mais de 140 atividades distribuídas até sexta-feira (16).
Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Criação e Inovação (PPGCI), Simone Alves, os números do evento refletem a trajetória da Reunião de Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura da UFRB (RECONCITEC), que chega à sua 12ª edição, e a necessidade de ampliar o espaço para contemplar a diversidade de áreas do conhecimento e de atividades. “Realizar o primeiro Congresso da UFRB tem um significado especial, mas é importante dizer que nós não estamos começando do zero. Essa história é mais um passo que damos de uma caminhada que já tem história, que é a nossa RECONCITEC”, afirmou.
A solenidade de abertura contou com apresentação musical de Alana Sena e a formação do dispositivo institucional, com a participação de representantes da gestão: Georgina Gonçalves, reitora; Fábio Josué, vice-reitor; Danillo Barata, pró-reitor de Extensão e Cultura (PROEXC); Denize Ribeiro, pró-reitora de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE); Joaquim Ramos, pró-reitor de Planejamento (PROPLAN); Kilza Lima, representando a Pró-Reitoria de Administração (PROAD); Flávia Sabina, pró-reitora de Gestão de Pessoal (PROGEP); e Simone Alves, pró-reitora da PPGCI.
Em sua fala, a reitora da UFRB, Georgina Gonçalves, destacou o papel da universidade na democratização do conhecimento, na inclusão de grupos historicamente excluídos e no desenvolvimento nacional. Ela também ressaltou a importância de ampliar o financiamento e garantir condições para o fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão.
A reitora também relacionou a produção científica aos desafios da sociedade brasileira e à vida cotidiana, destacando sua importância para a construção do futuro. “A construção que nós fazemos neste Congresso, a construção que realizamos agora neste encontro científico, é mais do que ciência, é mais do que conhecimento, diz respeito à nossa vida ordinária, diz respeito ao nosso futuro”, afirmou.
Olival Freire resgata trajetória das instituições científicas brasileiras
A conferência de abertura do Congresso foi ministrada pelo professor Olival Freire, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que apresentou uma retrospectiva histórica da formação do sistema de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. A exposição destacou a criação e a consolidação de universidades, centros de pesquisa e agências de fomento, mostrando como a estruturação dessas instituições esteve relacionada às transformações políticas, econômicas e sociais do país.
Ao abordar diferentes períodos da história brasileira, Olival destacou o papel de instituições como o CNPq, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na organização e no fortalecimento da pesquisa nacional. A conferência também tratou da expansão da pós-graduação e a criação de estruturas voltadas à formação de pesquisadores e ao desenvolvimento tecnológico.
O professor ressaltou que a relação entre ciência e desenvolvimento econômico acontece em duas direções: ao mesmo tempo que a pesquisa contribui para o desenvolvimento do país, as condições econômicas também influenciam a capacidade de investir em ciência e tecnologia. Nesse sentido, ele defendeu a necessidade de pensar o desenvolvimento nacional em articulação com o fortalecimento da produção científica.
Referindo-se diretamente ao tema do Congresso, “Ciência e democracia em defesa da soberania”, Olival relembrou os impactos da ditadura militar sobre a comunidade científica, incluindo a perseguição e o afastamento de pesquisadores, e ressaltou a importância de garantir condições democráticas para a produção do conhecimento. “Eu quero ciência e tecnologia, mas eu quero ciência e tecnologia em um ambiente de democracia”, declarou.
Programação segue até sexta-feira (16)
As atividades do Congresso continuam até 16 de outubro, com apresentações de trabalhos e uma programação diversificada.
Confira mais detalhes em:
https://ufrb.edu.br/ppgci/congresso
FONTE: UFRB