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Semear transforma descarte de lixo eletrônico em negócio de impacto

De coletas feitas no carro da família a 135 toneladas processadas, Semear chegou ao pódio do Prêmio Sebrae

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CEO Talita Marins levou a Semear ao 3º lugar na categoria Pequenos Negócios do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026

Semear Sustentabilidade, empresa paraibana de gestão de resíduos e logística reversa, ampliou o faturamento em 75% na comparação com o mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, o negócio processou e deu destinação ambientalmente adequada a 135 toneladas de lixo eletrônico — mais que o dobro das 55 toneladas registradas em todo o ano anterior — e alcançou 220 coletas por mês.

Com sede em João Pessoa e menos de três anos de formalização, a Semear oferece coleta gratuita de resíduos eletrônicos para residências e empresas, desenvolve operações de logística reversa, faz a gestão de resíduos em eventos, elabora Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), instala Pontos de Entrega Voluntária e promove ações de educação ambiental. O trabalho acompanha o material desde o planejamento e a coleta até a triagem, a rastreabilidade e o encaminhamento para reciclagem ou tratamento especializado.

O crescimento levou a empresa a atender marcas e instituições de alcance nacional e também colocou sua liderança em evidência. Cofundadora e CEO da Semear, Talita Marins conquistou o 3º lugar na categoria Pequenos Negócios da etapa paraibana do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026.

Semear nasceu da coleta gratuita de lixo eletrônico

A história da Semear começou com o inconformismo de Talita diante do descarte incorreto de materiais recicláveis e equipamentos eletrônicos. Ao estudar o problema, ela percebeu que a baixa destinação adequada dos resíduos também revelava uma demanda de mercado ainda pouco atendida.

“A Semear nasceu de um inconformismo em ver tantos materiais recicláveis e resíduos eletrônicos sendo descartados de forma incorreta. Depois de estudar e entender que o Brasil está entre os maiores geradores de resíduos eletrônicos do mundo e que apenas uma pequena parcela é reciclada, comecei a enxergar aquele problema não apenas pelo olhar ambiental, mas também como uma oportunidade de negócio, com muito potencial e diversas possibilidades”, conta.

Em 2023, a empresa começou a oferecer coleta gratuita de eletrônicos em João Pessoa. Uma central de atendimento recebia as solicitações, organizava os agendamentos e definia as rotas. As retiradas, inicialmente de duas a três por dia, eram feitas com o veículo da família, enquanto a triagem e o processamento aconteciam em um espaço de apenas 40 metros quadrados.

A procura levou a Semear a ocupar uma área de 300 metros quadrados e a ampliar o atendimento para a Região Metropolitana de João Pessoa e municípios do Sertão. Formalizada em 17 de outubro de 2023, a empresa atualmente opera em uma estrutura de 600 metros quadrados, com capacidade para receber, separar, processar e consolidar os materiais recolhidos. Segundo a Semear, as 220 coletas mensais fazem da operação o maior serviço gratuito de coleta de lixo eletrônico da Paraíba.

Gestão de resíduos, logística reversa e soluções para eventos

A coleta gratuita de lixo eletrônico continua sendo uma das principais portas de entrada da Semear para a população, mas passou a integrar um portfólio mais amplo de soluções ambientais para empresas, condomínios, instituições e eventos.

Na logística reversa, a Semear organiza o caminho percorrido por um produto após o descarte. A operação pode envolver coleta, transporte, pesagem, triagem, separação, processamento, rastreabilidade, documentação e comprovação da destinação. Os materiais que podem ser tratados na região retornam à cadeia produtiva; os que exigem tecnologias específicas seguem para operadores especializados.

Para eventos, a empresa identifica previamente os resíduos que deverão ser gerados, instala coletores personalizados e estrutura centrais de triagem no próprio local. Depois, acompanha a separação e encaminha cada material ao destino adequado. Cooperativas de catadores podem participar da operação e receber remuneração pelo trabalho realizado.

A Semear também elabora Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, documentos que definem como empresas e instituições devem separar, armazenar, coletar e destinar os resíduos de suas atividades. Palestras, campanhas e outras ações de educação ambiental completam a atuação, aproximando o descarte correto e a economia circular da rotina de organizações e comunidades.

“O principal ponto de virada foi quando deixamos de enxergar a Semear apenas como uma empresa de coleta e reciclagem e passamos a atuar como uma empresa de soluções em sustentabilidade e gestão de resíduos”, explicou Talita.

Segundo a empreendedora, a mudança de posicionamento respondeu a uma necessidade concreta do mercado. Empresas e instituições não buscavam apenas a retirada dos materiais, mas planejamento, segurança, rastreabilidade, documentos e indicadores capazes de comprovar cada etapa do processo.

Crescimento alcança clientes e cooperativas de reciclagem

A profissionalização da gestão e a padronização dos processos abriram espaço para contratos com McDonald’s e Whirlpool, fabricante de Consul e Brastemp, além de projetos e parcerias com organizações como Sebrae e Tribunal de Justiça da Paraíba.

“Mais do que conquistar clientes, precisamos conquistar confiança. Para isso, tivemos que nos moldar e estruturar melhor nossos processos e controles, garantindo mais segurança e transparência em cada etapa do trabalho”, afirma Talita.

O crescimento de 75% no faturamento veio acompanhado de impacto sobre outros participantes da cadeia da reciclagem. De acordo com a CEO, as operações da Semear contribuíram para acrescentar mais de R$ 30 mil à renda das cooperativas parceiras.

Para a empresa, diversificar os serviços foi essencial para sustentar a operação, gerar empregos e manter atividades gratuitas, como a coleta de eletrônicos. “A gente acredita que impacto ambiental e sustentabilidade financeira precisam caminhar juntos. A Semear nasceu para resolver um problema ambiental, mas entendemos desde o início que, para esse impacto ser contínuo e crescer, o negócio também precisa ser financeiramente sustentável”, ressaltou Talita Marins.

Prêmio Sebrae reconhece trajetória de Talita Marins

O avanço da Semear levou Talita Marins ao 3º lugar na categoria Pequenos Negócios do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, na Paraíba. A edição recebeu 327 inscrições no estado, das quais 199 foram avaliadas. Ao todo, 12 empresárias de diferentes segmentos foram reconhecidas na cerimônia realizada em João Pessoa, no dia 27 de agosto.

“Para mim, esse prêmio veio como um lembrete da minha força, resiliência e determinação no empreendedorismo. Estar entre as 12 empreendedoras da Paraíba escolhidas entre mais de 300 inscritas é uma grande honra e uma conquista que me deixa muito feliz e orgulhosa”, afirmou.

Talita também divide o reconhecimento com as pessoas que participaram da construção da empresa. “Acima de tudo, esse prêmio é compartilhado. Sem tantas pessoas ao meu lado, me apoiando e acreditando na Semear, eu não teria sido capaz de chegar até aqui. Para a Semear, esse prêmio representa um marco e celebra uma trajetória construída com propósito, inovação e compromisso com um futuro mais sustentável”, acrescentou.

Rede reúne mais de 70 pontos de coleta na Paraíba

Além das coletas agendadas, a Semear mantém mais de 70 Pontos de Entrega Voluntária distribuídos pela Paraíba. A rede recebe principalmente eletrônicos de menor porte e oferece uma alternativa para quem precisa descartar um equipamento sem esperar pela retirada domiciliar. Segundo Talita, há margem para dobrar o número de locais até o fim de 2026.

Os pontos fixos ampliam o alcance do serviço para além das rotas regulares. Em cidades como Patos, no Sertão, a população pode levar o material a um local credenciado, enquanto a Semear se responsabiliza pelo recolhimento, pela triagem e pela destinação ambientalmente adequada.

“Muitas vezes, o cliente tinha aquele eletrônico em casa e precisava descartar com urgência, mas não queria ou não conseguia esperar uma coleta. Então começamos uma busca ativa por locais que pudessem se tornar pontos de descarte e facilitar esse acesso”, explicou a CEO.

Parceria com o Ilha Tech conecta inovação e sustentabilidade

Um dos Pontos de Entrega Voluntária funciona no Ilha Tech, hub de inovação paraibano localizado no bairro da Torre, em João Pessoa. A Semear integra o ecossistema de startups apoiadas pelo hub e, por meio da parceria, transformou o espaço em um ponto oficial para o descarte gratuito de resíduos eletrônicos.

A comunidade que circula pelo Ilha Tech pode entregar celulares, cabos, carregadores, pilhas, baterias, acessórios e pequenos equipamentos de informática. A Semear recolhe os materiais depositados, realiza a triagem e encaminha cada item para reaproveitamento, reciclagem ou tratamento especializado. Equipamentos maiores devem ser destinados por meio do serviço de coleta domiciliar gratuita da empresa.

Além de ampliar a rede de descarte responsável em João Pessoa, a parceria aproxima a solução ambiental de empreendedores, empresas e instituições conectados ao ecossistema de inovação. Ao avaliar o desempenho das empreendedoras ligadas ao hub no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, o fundador e CEO do Ilha TechRuy Dantas, destacou o princípio que orienta esse tipo de conexão: “Esse resultado traduz um dos princípios dos quais o Ilha Tech não abre mão: gerar impacto”.

Semear planeja levar soluções a outros estados

Depois de consolidar a atuação na Paraíba, a Semear pretende levar a coleta de resíduos eletrônicos, a logística reversa, a gestão de resíduos e as demais soluções ambientais a novos mercados. A expansão, segundo Talita, deverá acompanhar a capacidade operacional da empresa para preservar a qualidade dos serviços.

“Não queremos crescer simplesmente por crescer. Queremos ampliar a Semear sem perder a qualidade do atendimento, da operação e da entrega das nossas soluções. Para nós, crescer de forma sustentável também significa conseguir manter aquilo que nos trouxe até aqui”, concluiu.

FONTE: Paraiba Business

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