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Com apoio da OpenAI, Centro PI investiga uso de IA na pesquisa matemática

Quais condições são necessárias para que pesquisadores possam fazer uso da inteligência artificial (IA) de maneira eficiente, confiável e sustentável para desenvolver pesquisa matemática? Para responder essa pergunta, a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, selecionou o Centro PI (Centro de Projetos e Inovação IMPA) para participar de uma iniciativa internacional voltada a investigar como a IA pode transformar a pesquisa científica e ampliar oportunidades.

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“A IA tem se mostrado um claro acelerador da pesquisa científica. Instituições de pesquisa como o IMPA precisam entender os custos e a infraestrutura necessários para adotar essas ferramentas com segurança e agilidade, e para se manterem resilientes à medida que esses modelos evoluem”, explicou Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA.

O projeto “Construindo pesquisa científica resiliente na Era da Inteligência” vai investigar o que é necessário para que pesquisadores de matemática incorporem essa nova realidade à pesquisa. Ao longo de seis meses, a equipe, liderada pelo cientista de projetos Daniel Yukimura, vai trabalhar diretamente com matemáticos no IMPA para avaliar fatores como infraestrutura, capacidade computacional, suporte de engenharia, capacitação, governança e custos envolvidos no uso da inteligência artificial na pesquisa.

O apoio da OpenAI inclui recursos para o desenvolvimento do projeto e créditos de API que permitirão aos pesquisadores utilizar modelos de inteligência artificial durante o estudo. A experiência também ajudará a estimar quanto custaria para uma instituição manter esse tipo de acesso de forma contínua e quais estruturas seriam necessárias para viabilizá-lo.

Mais do que avaliar o acesso às ferramentas, a proposta busca compreender as condições necessárias para que elas sejam incorporadas à pesquisa de forma sustentável. Para Yukimura, existe um risco de que o avanço da IA aprofunde desigualdades já existentes entre instituições científicas.

“Existe o risco de que as universidades que têm mais recursos consigam fazer pesquisas em um nível mais rápido e maior, enquanto as instituições com menos recursos fiquem ainda mais para trás. A ideia é entender quanto custa usar a IA de forma eficiente e qual infraestrutura é necessária para que essa tecnologia não aumente uma desigualdade que já existe”, explicou.

A partir da experiência do próprio IMPA, o projeto pretende desenvolver um modelo que possa ser replicado por outras instituições interessadas em avaliar os custos e as estruturas necessárias para incorporar a IA à pesquisa científica. Durante o projeto, pesquisadores utilizarão ferramentas de inteligência artificial e a equipe acompanhará esse processo para identificar necessidades e aperfeiçoar a infraestrutura de suporte.

Ao final, será produzido um relatório com os resultados do estudo, incluindo uma análise dos custos associados ao uso de IA e da infraestrutura necessária para apoiar pesquisadores. A iniciativa também prevê orientações para o uso confiável da inteligência artificial na matemática e uma discussão sobre o direito de acesso à IA e sobre modelos distribuídos de descoberta científica.

A comunidade matemática diante de novas perguntas

Além dos aspectos práticos, o projeto nasce em um momento de transformação para a própria comunidade matemática. Empresas de tecnologia têm investido cada vez mais no desenvolvimento de sistemas capazes de resolver problemas matemáticos complexos, enquanto pesquisadores começam a experimentar novas formas de interação entre inteligência artificial e produção científica.

“A comunidade matemática está se perguntando o que vem pela frente. Tem muito dinheiro sendo investido em IA para fazer matemática e, ao mesmo tempo, as empresas estão colocando muitos esforços para mostrar o avanço desses modelos justamente por meio da resolução de problemas matemáticos. Parte desse projeto é justamente tentar entender melhor como a pesquisa em matemática pode evoluir nos próximos anos. Isso vai ser importante para que o IMPA e outras instituições possam estar melhor preparadas para possíveis mudanças”, refletiu Yukimura.

A análise envolve desde a maneira como matemáticos trabalham até as condições necessárias para que diferentes instituições possam participar da transformação. Em um cenário no qual o acesso a modelos avançados também envolve custos computacionais e financeiros, compreender essas diferenças pode ser decisivo para evitar que a nova tecnologia concentre ainda mais a capacidade de produção científica em instituições com maior disponibilidade de recursos.

Nesse sentido, o projeto busca olhar para a IA não apenas como uma ferramenta, mas como uma transformação que exige novas estruturas de pesquisa. A experiência brasileira poderá contribuir para um debate mais amplo sobre como instituições científicas, especialmente aquelas fora dos grandes centros tecnológicos, podem se preparar para essa mudança.

Fonte: TI Inside

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