Governo vai reavaliar antidumping sobre fibra óptica monomodo da China
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciou nesta terça-feira, 18, uma avaliação de interesse público sobre a possibilidade de suspender as medidas antidumping aplicadas sobre importações brasileiras de fibra óptica do tipo monomodo oriundas da China.
O início da reavaliação – publicado hoje no Diário Oficial da União – ocorreu após pleito de operadoras de telecom reunidas na Conexis e de alguns fornecedores da cadeia (Intelbras, WEC, Setex e GW). A fibra óptica monomodo é insumo essencial na fabricação dos cabos de fibra propriamente ditos.
Em dezembro de 2025, a Gecex editou a Resolução nº 829/2025 estabelecendo taxa de US$ 47,46 por quilo do insumo importado da China (quando o diâmetro de núcleo for inferior a 11 micrômetros), após apelo de fabricantes nacionais e constatação de existência de dumping nas exportações do país asiático.
Demanda por fibra
As empresas que defendem a revisão do antidumping para o produto monomodo alegaram à Secex que não existem origens alternativas capazes de suprir a demanda por fibra óptica pura no Brasil.
Segundo relata a Secex do MDIC, os questionamentos indicam “que a capacidade produtiva efetivamente disponível ao mercado interno é incapaz de atender à demanda das 16 empresas nacionais fabricantes de cabos de fibra óptica, resultando em déficit superior a seis milhões de quilômetros de fibra por ano”.
Outro dado trazido pelas pleiteantes da revisão – neste caso pela Conexis – indica que a demanda pelas fibras ópticas chega a ser superior em pelos menos 190% à oferta da indústria doméstica.
A entidade das teles sinalizou riscos de desabastecimento e desequilíbrio sistêmico no mercado de fibra. Isso refletiria em obstáculo ao avanço do 5G e da banda larga, além de ampliação do poder de mercado da indústria doméstica em detrimento do setor de cabos e dos usuários do produto final.
“O sindicato [Conexis] destaca que o antidumping de fibras ópticas interessaria somente a uma empresa – a Prysmian – que representaria 70% da produção nacional, mas que disponibilizaria parte residual (apenas 13%) de sua produção para venda no mercado doméstico. Já a outra produtora – Furukawa – usaria 100% da sua produção de fibras para consumo cativo na produção de cabos”, indica parecer da área técnica do MDIC.
“Por essa razão, a grande maioria dos consumidores nacionais de fibras ópticas necessitaria importar a fibra óptica, principal insumo dos cabos de fibras ópticas, diante da insuficiência de oferta (em termos de quantidade e qualidade) por parte da indústria nacional”, sumariza a análise, feita pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom) da Secex.
Mercado internacional
Nas petições ao governo, a Intelbras alegou ter buscado fontes alternativas de abastecimento da fibra monomodo no mercado internacional, em processo classificado como desafiador dado o aumento da demanda decorrente da guerra entre Rússia e Ucrânia e de investimentos na implantação de data centers, sobretudo nos Estados Unidos.
Até por conta do cenário, os norte-americanos possuem déficit no comércio exterior do insumo. Outras das principais alternativas de mercado são a Índia e o Japão, onde é apontada queda consistente de volumes exportados de fibra óptica e concentração de destinos do produto.
“Consumidores de fibras ópticas [brasileiros] se encontrariam esmagados entre uma oferta nacional insuficiente em termos volumétricos e a inexistência de origens alternativas estáveis, fazendo com que os consumidores não tenham outra saída que importar as fibras ópticas atualmente sobretaxadas de maneira proibitiva“, aponta a análise da Secex, ao listar questionamentos ao antidumping.
Em paralelo, peticionantes também alegaram ao MDIC que os preços praticados pelos fabricantes chineses da fibra (anteriormente inferiores aos nacionais) já superam os valores ofertados pelo produtor doméstico, desde a aplicação das medidas.
Por último, ainda segundo as empresas, as fibras importadas oferecem maior padronização de comprimentos, melhor desempenho técnico e variedade de modelos, incluindo fibras tecnologicamente mais avançadas. Já a fibra nacional estaria apresentando limitações relacionadas à qualidade do revestimento protetor, ao desempenho operacional e à disponibilidade de determinados tipos de produtos, alegam.
Fonte: Teletime