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Brasil conviveu com mais de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais em 2025, estima ONG internacional

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Duas em cada cinco pessoas no país têm dificuldade de identificar golpes, e 76% das vítimas relatam impacto significativo ou moderado na saúde mental em decorrência das fraudes, contra 59% na edição anterior do estudo.
São Paulo, 06 de agosto de 2026. Cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 201,6 tentativas de golpes digitais em 2025. É o que revela o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, divulgado no dia 6 de agosto, durante o Brazil Anti-Scam Forum, na cidade de São Paulo.
Com base nessa média, estima-se que tenham ocorrido cerca de 34 bilhões de tentativas de fraude contra brasileiros entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O estudo, que chega à quarta edição, também mostra que 34% das vítimas perderam dinheiro mais de uma vez no período, reforçando a preocupação com a revitimização e a vulnerabilidade contínua diante desse tipo de crime.
A versão brasileira do documento integra um levantamento global conduzido em mais de 40 países e reúne informações de mais de mil entrevistados no Brasil. O levantamento abrange quatro tópicos principais: contato com golpes, interações, custos e prevenção. Segundo o estudo, 81% dos adultos no país tiveram contato com tentativas de golpe, em patamar idêntico ao registrado na edição de 2025, enquanto 39% chegaram a interagir com golpistas. Entre os que interagiram, uma em cada quatro pessoas perdeu dinheiro ou forneceu dados que resultaram em prejuízo financeiro.
Os números revelam não apenas a sofisticação das abordagens, mas também a velocidade com que esses crimes se concretizam. De acordo com a GASA, 42% das vítimas tiveram seus valores subtraídos em questão de minutos ou horas. “Os golpes digitais passaram a fazer parte da rotina.
O fato de 1/3 das pessoas terem perdido dinheiro mais de uma vez em um intervalo de 12 meses é especialmente preocupante, porque destaca um ciclo de vulnerabilidade encorajado pelos criminosos. Isso reforça a necessidade de prevenção, educação e resposta rápida, com atuação coordenada entre empresas, plataformas, instituições financeiras, autoridades e sociedade civil. Todas em constante troca de experiências para aperfeiçoar os sistemas de defesa contra o crime digital”, afirma Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA.
Os brasileiros são vítimas com maior regularidade de golpes relacionados a compras online (22%), promessas de dinheiro inesperado (17%) e falsas vagas de emprego (17%). O telefone e os aplicativos de mensagens instantâneas continuam sendo os principais canais de disseminação de golpes no Brasil, respondendo por 71% das fraudes. No âmbito das plataformas, o Whatsapp se consolida na liderança mencionado por 64% das vítimas, seguido de Gmail (32%) e Instagram (22%) no topo do ranking. Uma das novidades da lista este ano foi a presença do Youtube (6%).
Identificar golpes e reaver o dinheiro perdido ainda é difícil
Os brasileiros ouvidos no estudo se dividiram quanto à facilidade ou dificuldade de distinguir uma tentativa de golpe. Duas em cada cinco pessoas afirmam ter confiança na própria capacidade de reconhecer golpes, enquanto 41% dizem não se sentir confiantes. Mesmo após sofrerem prejuízos, muitos ainda têm dificuldade para identificar que foram vítimas de um golpe. Em 2026, 40% só perceberam o que havia acontecido após serem avisados por outra pessoa ou instituição, contra 34% na edição de 2025 do relatório.
O papel das instituições financeiras
Os bancos abrangem todas as etapas da jornada do golpe, com facilidade de realizar denúncias, realização de ações educativas, bloqueio de golpes e prevenção de pagamentos. A Febraban estima que, anualmente, R$ 5 bilhões sejam investidos em segurança e prevenção a fraudes. Essas instituições, ao lado de meios de pagamento ou corretoras de criptomoedas, mantêm-se como as de melhor avaliação na prevenção e na resolução desse tipo de crime, na percepção dos respondentes. Em segundo lugar vem a polícia, que ficou fora do Top 3 em 2025, seguida pelo provedor do site ou empresa de hospedagem utilizada pelo fraudador. Operadoras de telecomunicações foram avaliadas como as menos eficazes.
Nesse contexto, o índice de recuperação dos valores perdidos ainda é baixo. Somente 20% daqueles que relataram suas perdas afirmam que o dinheiro foi total ou parcialmente reembolsado ou recuperado pela organização à qual fizeram a denúncia.
Golpes afetam bem-estar mental de 76% das vítimas
Na América Latina, metade das vítimas não denunciou os golpes sofridos por não saber a quem recorrer. A falta de denúncia também está associada à percepção de que o registro não faria diferença (36%), à complexidade do processo (28%) e à vergonha ou ao receio de exposição. A diretora da GASA lembra a importância da denúncia para o combate às fraudes, já que a informação ajuda a derrubar perfis falsos, bloquear contas usadas por criminosos, evitar novas vítimas e mapear padrões de atuação dos golpistas. No Brasil, 19% dos que sofreram com o problema não denunciaram.
O impacto dos golpes vai além do prejuízo financeiro. Eles também geram impacto emocional, já que 76% das vítimas consideram alteração significativa ou moderada em seu bem-estar. “O crime digital pode trazer consequências como ansiedade e desconfiança constante. O dado reforça que os golpes digitais não representam apenas uma ameaça econômica, mas um problema de segurança e saúde emocional para milhões de brasileiros. Trata-se de um fator que deve ser levado em consideração na hora de proteger as pessoas contra seus efeitos”, lembra Renata.
Ao todo, o estudo estima que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro para golpes, com prejuízos próximos a R$ 21,2 bilhões, o que resulta em uma subtração média de R$ 1.287 por pessoa. O valor diverge das perdas de R$ 99 bilhões calculadas na edição de 2025 por uma diferença de metodologia. Em 2026, houve validação dos valores declarados em etapas, melhor filtro de respostas inconsistentes e exclusão de valores incompatíveis. Os entrevistados que relataram perdas mais elevadas foram solicitados a confirmar ou corrigir a faixa de perda inicialmente selecionada. Em ambos os anos, os participantes foram questionados sobre os impactos ao longo dos últimos 12 meses.
Fonte: TI Inside

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