Infraestrutura é entrave para veículo inteligente no Brasil, afirma Anfavea
A conectividade no sistema viário brasileiro ainda é encarada como entrave para o desenvolvimento dos veículos inteligentes – e futuramente, autônomos – no País. É o que avaliou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) durante o evento Anfavea Visions encerrado nesta quarta-feira, 10.
“Se você imaginar que no Brasil hoje menos de 15% das estradas tem conectividade, você tem que ter o máximo da inteligência artificial embarcada no próprio veículo ou o próprio veículo gerando sua conectividade“, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, em debate sobre nova arquitetura da mobilidade demandada pelo setor.
Nas rodovias a questão seria especialmente sensível para caminhões e logística, embora mesmo nas cidades persista a questão da lacuna de infraestrutura (e não apenas de telecomunicações, mas também viária), nota Calvet.
Já para Eduard Folch, presidente da Allianz Brasil, é questão de tempo para que tecnologias como carros autônomos desembarquem em grandes cidades como São Paulo. “Em algum momento isso vai chegar”, declarou o executivo da gigante dos seguros – que acompanha atentamente a evolução do debate regulatório sobre o tema em mercados como Estados Unidos e Europa.
Carro como borda de rede
Durante o mesmo evento, Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm para a América Latina, também compartilhou a visão do carro como parte integrante da rede, e não apenas conectado à ela.
“O carro vai receber atualizações over-the-air e respostas da rede, mas também mandar respostas do que está acontecendo com ele e tomar várias decisões locais que vão ser tão importantes quanto às da rede“, afirmou Tonisi, sobre a possibilidade de rodar o processamento de tecnologias como IA diretamente nos veículos.
Para o executivo, os carros atuais já se tornaram “computadores de quatro rodas”. Com a evolução da comunicação V2X (veículo com tudo ao seu redor), a tendência é que se tornem hubs de serviços digitais.
A própria Qualcomm tem forte presença no segmento e tecnologia embarcada em cerca de 400 milhões de veículos no mundo, habilitando recursos como conectividade, telemática e infoentretenimento.
Fonte: Teletime