Corrida global por infraestrutura em IA coloca o Brasil no mapa como hub internacional de data centers
A rápida expansão da Inteligência Artificial (IA) e da IA generativa tem forçado a infraestrutura digital mundial a se reinventar. O novo estudo da PwC “Data centers na convergência entre disrupção tecnológica e resiliência” estima que os avanços em tecnologias emergentes receberão cerca de US$ 1 trilhão em investimentos até 2027. Com a aceleração do ritmo de inovação e aporte e pressionado pela necessidade de processamento em altíssimo nível, o consumo de energia tende diretamente a crescer. É nesse contexto que o Brasil emerge com grande vantagem competitiva e destaca-se como potencial polo global de IA.
De acordo com o estudo, o país tem passado por uma transformação histórica estrutural, deixando de ser apenas um agente regional para uma posição de destaque. Isso porque o país tem condições de produção de energia renovável em escala, incentivos ficais, e conectividade capaz de suportar cargas de trabalho (workloads) intensivas em computação e consumo energético.
“A indústria de data centers vive um momento de expansão, impulsionada pela demanda por inteligência artificial e infraestrutura digital. Os recentes movimentos das big techs, ao ampliar investimentos e estratégias globais, reforçam essa necessidade de reinvenção. O momento é de adaptação estratégica e operacional para garantir eficiência e competitividade”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.
O sócio destaca a força do Brasil neste momento de transição e as vantagens competitivas do país:
- A força do nordeste – a região se destaca pela oferta de energia eólica e solar de baixo custo. O uso do curtailment (excesso de geração renovável), que permite aos desenvolvedores e gigantes da tecnologia (hyperscalers) firmarem contratos de compra de energia (PPAs) altamente atrativos, reduzindo drasticamente os custos operacionais.
- O epicentro de conectividade – o eixo São Paulo e Rio de Janeiro desponta como polo de nuvem e *colocation*, oferecendo altíssima concentração de redes de fibra óptica, pontos de troca de tráfego (PTTs) e baixa latência.
- O marco do REDATA – a Medida Provisória 1.318/2025, que institui o REDATA, é citada como decisiva ao conferir prioridade nacional à infraestrutura digital, reduzindo a carga tributária sobre equipamentos e obras civis, e assim diminuindo os custos de capital (CAPEX).
Enquanto o Brasil avança, mercados tradicionais América do Norte e Europa enfrentam gargalos imobiliários e de energia. O mercado internacional também sofre com impactos geopolíticos – como as restrições e tarifas dos Estados Unidos sobre chips de IA – que evidenciam a fragilidade das cadeias de suprimentos globais. Há, ainda, um alerta sobre o aumento exponencial da superfície de ataque e dos riscos de cibersegurança com a rápida expansão dessas superestruturas.
Para que as empresas brasileiras aproveitem essa janela de oportunidade limitada frente à concorrência global, o estudo traz um playbook de ações prioritárias. Entre elas estão a venda de “soluções combinadas” (que unam contratos de energia renovável, infraestrutura e conectividade) e a busca por certificações de credibilidade internacional (como a ISO 50001), fundamentais para atender às metas de sustentabilidade impostas pelas grandes empresas de tecnologia.
Fonte: TI Inside