Vida útil de satélite brasileiro está no fim. É hora de decidir se haverá segundo satélite estatal
O Ministério das Comunicações quer definir ainda em 2026 o futuro do programa satelital brasileiro, diante da contagem regressiva para o fim da vida útil do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o governo precisa avançar rapidamente na escolha de um novo satélite próprio, sob gestão nacional, para evitar perda de capacidade estratégica e tecnológica nos próximos anos.
“Precisamos, em função da nossa soberania nacional, ter também um satélite próprio sob nossa gestão”, afirmou o ministro. Ele lembrou que o SGDC, lançado em 2017, caminha para seus últimos anos de operação. “Estamos discutindo com a Casa Civil para que a gente consiga pensar no futuro, porque o nosso satélite SGDC tem sua vida útil limitada. Estamos falando de mais de seis anos de vida útil. Por isso, a expectativa é que neste ano se defina o futuro da expansão do projeto satelital do governo do Brasil”, disse.
Segundo Siqueira Filho, o debate técnico indica que a solução pode envolver um conjunto híbrido de órbitas. “Acho que aí envolve um mix de média e alta órbita. E, especialmente, queremos definir qual será a capacidade, prazo de entrega, vida útil, custo, mas principalmente a capacidade”, afirmou. O desenho da nova política satelital está sendo tratado em um grupo de trabalho interministerial que reúne o Ministério da Defesa, Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O objetivo é consolidar uma alternativa que possa ser implantada antes que o SGDC se aproxime do fim da operação.
O ministro apontou que a decisão passa também pelo fortalecimento da Visiona, empresa criada justamente para desenvolver capacidades nacionais no setor espacial. Ele afirmou que a escolha do novo modelo levará em conta cobertura, prazo, impacto social e retorno estratégico. “Estamos buscando ver primeiro qual é a solução que faz sentido para o Brasil em termos de capacidade, em termos de prazo de entrega, em termos de capilaridade de atuação. Em cima disso, a gente vai definir o custo desse projeto. Mas, com certeza, se a gente tiver um bom projeto, que tem impacto social, que gera desenvolvimento para o país e soberania, com certeza o recurso aparece. Mas precisamos resolver este ano”, declarou.
Paralelamente à discussão sobre um novo satélite geoestacionário, o governo acompanha o avanço de projetos privados de baixa órbita no Brasil. O mais adiantado é o da empresa chinesa SpaceSail, que firmou parceria com a Telebras e apresentou à Anatel pedido para operar uma constelação de mais de seiscentos satélites sobre o território brasileiro. O processo já chegou ao Conselho Diretor da agência e está sob relatoria do conselheiro Octavio Pieranti.