96% das organizações já utilizam agentes de IA, aponta relatório
No Brasil, a integração com sistemas legados é a principal capacidade necessária para expandir o uso da tecnologia. Entre os principais motivos pelos quais projetos de desenvolvimento de aplicações não são iniciados estão a dificuldade de integração com sistemas existentes (40%), a preferência por soluções SaaS ou pacotes prontos (34%) e preocupações com governança ou conformidade (32%). O impacto de sistemas legados ou dados fragmentados também é uma barreira relevante, apontada por 31% das organizações brasileiras. Além disso, apenas 20% dos tomadores de decisão no Brasil indicam a falta de habilidades internas como um entrave — o menor índice entre os fatores analisados.
A OutSystems divulgou hoje seu relatório global State of AI Development 2026, revelando que as empresas avançaram de forma decisiva da experimentação para a execução em inteligência artificial. Quase todas as organizações entrevistadas (96%) já utilizam agentes de IA em alguma capacidade, enquanto 97% estão explorando estratégias de IA agêntica em escala sistêmica. No Brasil, 98% das empresas já estão levando projetos de IA para produção com sucesso, sendo que 56% afirmam que mais da metade de seus projetos já são bem-sucedidos. Os dados indicam uma clara transição de projetos piloto para produção, à medida que as empresas integram a IA a operações críticas e ampliam seu impacto nos negócios.
No entanto, à medida que a adoção acelera, a governança não acompanha o mesmo ritmo. Segundo o relatório, 94% das organizações demonstram preocupação com a proliferação desordenada de IA (AI sprawl), que aumenta a complexidade, o débito técnico e os riscos de segurança. Ainda assim, apenas uma pequena parcela das empresas estabeleceu uma abordagem centralizada para governança de IA agêntica, o que significa que a maioria está utilizando agentes em ambientes fragmentados.
A IA agêntica representa uma evolução significativa em relação às aplicações anteriores de IA, sendo capaz de executar fluxos de trabalho de forma autônoma, tomar decisões e se adaptar em tempo real. O Gartner prevê que 40% das aplicações corporativas contarão com agentes de IA específicos para tarefas até o final de 2026, evidenciando a velocidade com que sistemas autônomos estão sendo incorporados ao software empresarial. De acordo com o relatório da OutSystems, que ouviu 1.900 líderes globais de TI, 49% classificam suas capacidades em IA agêntica como avançadas ou especializadas.
O nível de maturidade na adoção varia por região. Países como Austrália, Brasil, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos apresentam avanços intermediários, enquanto a França ainda está em estágios mais iniciais. Organizações dos setores financeiro e de tecnologia registram os maiores níveis de implementação em produção.
O impacto da IA agêntica é mais evidente nas áreas de TI e desenvolvimento de software, onde o tempo para geração de valor é mais mensurável. Cerca de 31% dos entrevistados afirmam que a IA já é parte integrante de suas práticas de desenvolvimento, enquanto outros 42% incorporaram a tecnologia em fases específicas do ciclo de vida do desenvolvimento de software. À medida que os agentes demonstram valor nesses ambientes, 52% das organizações já adotam o modelo human-on-the-loop, no qual os sistemas operam com menor supervisão direta, mantendo o controle humano em nível de supervisão. No Brasil, 62% dos entrevistados apontam o desenvolvimento assistido por IA generativa como principal abordagem, seguido por aplicações SaaS customizadas internamente (54%) e pelo uso equilibrado de soluções terceirizadas e código tradicional (37%).
Apesar do avanço, a fragmentação arquitetural ainda é um desafio relevante. Cerca de 38% das organizações relatam combinar agentes desenvolvidos internamente com soluções pré-configuradas, criando estruturas de IA difíceis de padronizar e proteger. Apenas 12% implementaram uma plataforma centralizada para gerenciar essa complexidade, enquanto a maioria ainda experimenta diferentes abordagens de governança, que variam por equipe e região.
Fonte: TI Inside