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Paraíba impulsiona a inovação com apoio à pesquisa nas universidades - Consecti

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Giro nos estados
27 fevereiro 2024

Paraíba impulsiona a inovação com apoio à pesquisa nas universidades

ano de 2023 foi de retomada do processo de reafirmação e reorganização das bases da ciência tecnologia e inovação do país. Na Paraíba não foi diferente. Em 2023, o Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties) e a Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq), foram ofertadas 374 bolsas, sendo 297 para alunos de mestrado e doutorado e 77 de pós-doutorado. No total,  foram investidos R$ 35,5 milhões.

Já na iniciação científica para estudantes do Ensino Médio, foram ofertadas 200 bolsas, que totalizam o investimento de R$ 1,68 milhão. O impulso obtido em investimentos no ano de 2023 possibilitou a ampliação e lançamento de programas da Secties.

O Estado investiu R$ 6,2 milhões para apoiar núcleos de pesquisas avançadas coordenadas por instituições de ensino superior e foram 41 projetos selecionados e R$ 283 mil investidos no edital de incentivo à criação de startups e projetos inovadores. Isso resume um investimento superior a R$ 43 milhões.

“O governador João Azevedo, desde que assumiu o governo, conseguiu implementar uma série de ações na área de ciência e tecnologia que culminaram com um programa próprio de bolsas de pesquisa”, conta o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, Claudio Furtado. “O último edital somou quase R$ 40 milhões, mostrando a força e a perenidade da manutenção dos recursos. Isso é o mais importante do apoio aos programas de pós-graduação: que seja perene o investimento para que você consiga manter um determinado patamar nos investimentos que você faz na formação de recursos humanos altamente qualificados”.

O secretário conta que algumas novidades já estão previstas para este ano. “Além da manutenção dos programas já existentes de mestrado, doutorado, pós-doutorado e iniciação científica, o governador, no final do ano passado, lançou o Programa Paraíba Sem Fronteiras”, informa. “São bolsas de intercâmbio para estudantes de graduação das nossas universidades. E – essa também é uma novidade – para alunos de mestrado: um estágio até três meses para aquele estudante que precisa fazer uma imersão num grupo de pesquisa no exterior. Isso potencializa a questão da cooperação internacional dos programas, o que é muito importante na avaliação da Capes”.

O programa também vai possibilitar o doutorado sanduíche, o doutorado que é parcialmente realizado em outra instituição estrangeira. “Ou seja: um estágio de até seis meses. E também receber visitantes estrangeiros para passar até três meses aqui no estado, para fortalecer os programas de pós-graduação e para fazer circular pesquisadores de renome aqui nos nossos programas. E também que pós-docs que aqui estejam possam também passar por períodos curtos de até três meses em estágios em grupos de pesquisa que tenham colaboração com aquele grupo em que ele está aqui no estado”.

De acordo com o secretário, as bolsas de formação de mestrado e doutorado serão lançadas no meio do ano, enquanto o Paraíba Sem Fronteiras deve anunciar seu edital antes, ainda por volta de março.

O presidente da Fapesq, Rangel Junior, disse que está otimista e projeta novas iniciativas de apoio à pesquisa, ciência, tecnologia e inovação do Estado para o ano de 2024. Além disso, ele confirmou o lançamento de novas modalidades de bolsas. “Estamos lançando em 2024 algumas modalidades de bolsas novas e chamaremos a comunidade acadêmica e instituições de pesquisa da Paraíba para dialogar sobre metodologias e demandas de cada setor”, afirmou.

Bolsas permitem dedicação de pós-graduandos

Bolsista Emmily CardosoEmmily Ferreira de Farias Cardoso e Ludmilla Christine Silva de Sales são alunas de pós-graduação que recebem bolsas via Fapesq, no Programa de Pós-Graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas da UFPB. Emmily é aluna de mestrado e Ludmilla, de doutorado.

O apoio da Secties e da Fapesq tem sido essencial na caminhada das pesquisadoras. “É de extrema importância esse apoio para a manutenção do pesquisador na carreira acadêmica. A bolsa é o salário do pesquisador que disponibiliza a sua dedicação exclusiva na universidade para trazer melhorias para a comunidade através de estudos e pesquisa. Sem a bolsa não haveria possibilidade de manter nossa autonomia, qualidade de vida e nem se dedicar a universidade, visto que trabalhar com experimentos e pesquisa é muito desgastante e dificultaria muito a possibilidade de não ter uma fonte de renda”, comentou Ludmilla Sales.

Para Emmily Cardoso, a dedicação à pós-graduação fica comprometida quando é necessário trabalhar e estudar. “É muito desgastante, para não dizer praticamente impossível, trabalhar e realizar mestrado e doutorado com afinco e zelo”, conta Emmily Cardoso. “É necessário estar no laboratório, realizar protocolos, repetir experimentos, estudar bastante para embasar e justificar o projeto, tratar animais, cursar disciplinas, enfim! A bolsa é simplesmente minha fonte de renda atualmente, é com ela que consigo fazer feira, comprar gás e custear o transporte para a universidade. E isso nos mostra que a pesquisa é relevante e importante para esses órgãos”, completou.

A mestranda desenvolve um projeto cujo título é “Avaliação de nova formulação nutracêutica composta por cepas de Limosilactobacillus fermentum e polifenóis sobre a função cardiovascular de camundongos ApoE-/-”, sob a orientação da professora Camille de Moura Balarini. Camundongos ApoE -/- são animais geneticamente modificados que possuem maior propensão a desenvolver aterosclerose (o acúmulo de gordura na parede dos vasos sanguíneos, mais precisamente das artérias). O “ApoE -/-” significa que o gene apolipoproteína E foi silenciado no DNA do animal. Sem produzir essa proteína, o camundongo fica com mais colesterol acumulado no sangue.

A pesquisa, portanto, investiga os efeitos cardiovasculares da formulação nesses animais, que são submetidos a uma dieta rica em gordura. “Nossa hipótese é que a formulação reduzirá o perfil lipídico, reatividade vascular, estresse oxidativo e marcadores de inflamação dos animais tratados, resultando numa melhora cardiovascular”, diz a pesquisadora. A produção dessa formulação foi realizada sob a orientação do professor Evandro Leite com a colaboração do professor José Luiz de Brito, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFPB.

A doutoranda Ludmilla Christine Silva de Sale, por sua vez, desenvolve um projeto chamado “Momitha – Modulação da microbiota intestinal no tratamento da hipertensão arterial: um estudo randomizado e controlado por placebo”, sob a coordenação de Josiane de Campos Cruz.

“Ao término deste projeto pretendemos elucidar os efeitos da intervenção com probióticos e fibras alimentares sobre a microbiota intestinal, parâmetros cardiovasculares, antropométricos, metabólicos e inflamatórios em pacientes com hipertensão arterial, a principal desordem cardiovascular que mais mata no mundo”, contou.

Probióticos são micro-organismos vivos que, ao serem ingeridos, beneficiam o organismo, enquanto a microbiota é a variedade de bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos unicelulares que habitam no nosso organismo. Para esse estudo, ela avalia elementos como níveis de pressão arterial, a variabilidade da frequência cardíaca, parâmetros bioquímicos e biomarcadores de inflamação.

Biotecnologista e nutricionista formada pela UFPB, Ludmilla é pesquisadora desde a primeira graduação. Agora, no doutorado, sua jornada na ciência continua com o apoio do edital de apoio à pesquisa na graduação e pós-graduação do Governo do Estado.

Fonte: Fapesq PB